Pular para o conteúdo principal

A Importância de Recordar

É engraçado como uma música, uma foto ou uma conversa perdida no celular pode te levar de volta a um momento. Eu sei o que as típicas frases dizem: “Não é legal reviver passado”, “Vira a página” e muitas outras (facebook está cheio delas). 

Mas as pessoas costumam inverter a situação inteira. Só porque você teve uma experiência ruim, não significa que você precisa abandonar tudo o que viveu. 

Acredito que quanto mais você impõe a si mesmo essa condição de esquecer o passado, mais você se lembra dele. Eu cheguei a um ponto, em que eu não me arrependo mais de nada que eu tenha feito (quer dizer, por enquanto né). 

Se eu magoei alguém ou se me magoaram, já não faz mais tanta diferença. Já está feito, não? Procuro tirar as lições de cada coisa. Só pra não correr o risco de errar de novo. O que é meio impossível, já que o dia em que eu parar de errar, significará que eu não tenho mais nada a aprender.

A nossa vida é como um armário. Repleto de gavetas e esconderijos secretos, onde guardamos tudo aquilo com que nos importamos. Quando conhecemos alguém e sentimos algo, uma gaveta é aberta. 

E lá guardamos tudo o que é relacionado a esta pessoa. É verdade que existem uns alguéns muito especiais, que ocupam mais de uma gaveta. Já que o espaço é correspondente ao do nosso coração.

Quando algo dá errado, podemos até jogar as lembranças ao vento ou queimá-las. Mas o coração sabe que o espaço continua lá. Dentro de você, em algum lugar. Podemos fugir do passado, mas em algum momento ele nos encontra.

Também existem pessoas que abrem uma mesma gaveta para pessoas diferentes. Até o armário inteiro. E você acaba entendendo que o lugar está infestado por cupins e que tudo está prestes a desmoronar. Você até pode participar da mobília, mas nunca terá um lugar fixo nela.

De vez em quando, ocorre um abalo sísmico em nosso peito e uma gaveta antiga se abre. E com ela, voltam várias memórias, inclusive a versão antiga de nós mesmos. E pode ser que por haver tanta coisa dentro dela, você nunca mais consiga fechá-la. Pode ficar emperrada ou você pode não ser forte o suficiente para isso.

O passado faz parte de todos nós. Não há uma maneira de se livrar dele. Você nunca o esquece totalmente. Eu concordo com a ideia de seguir em frente. 

Mas apenas lembre-se que você só é assim hoje, por causa de todas as suas experiências. Então, nada mais justo que valorizá-las, ao invés de querer se livrar delas.

Quantas gavetas você já abriu? E quantas já foram fechadas? Alguma já emperrou? Já levei o meu armário para o conserto e alguns lugares já foram fechados. Mas percebi que ainda tem muito espaço vazio pela frente.

Texto: Carol Chagas
Foto: We Heart It

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ensejo do dia

em um dia de domingo, senti que poderia ser plantada. assim, como figura que não imagina ganhar vida com desenho. no seu abraço, senti que poderia ser outra coisa, pessoa. poderia acessar um lugar que até então pra mim, aparentava ser inacessível. um lugar que só se conhece com o outro. e eu, que por tantas vezes me vi com um terror absoluto sobre o que o outro poderia fazer comigo, desejei o desmonte total de quem eu era. tudo parecia tão natural como nunca antes: as conversas, as caminhadas, as refeições, até mesmo as reclamações. imaginei que duraríamos até o fim do meu perfume e quando descobri mais dois vidrinhos da mesma fragrância em meu armário, pensei que teríamos chance. você era você, eu era eu. mas me parece que comigo, as coisas nunca são simples. me sinto mal em deixar de ver alguém com quem gosto tanto de conversar. apesar de contraproducente, sinto que preciso de mais. mereço algo maior do que eu mesma. mereço algo único, cristalino e seguro. mas a consistência que eu p...

línguas oceânicas

enquanto me lembro do que eu acreditava ser um rio de duas cores, penso em como tenho me sentido desconectada. são poucas as coisas que me trazem para o presente. choros diários, viagens intensas, demandas do trabalho, tempo com os meus amigos, a escrita por vezes (como agora).  não faço ideia de qual caminho devo seguir, minhas pistas são curtas como o aeroporto de congonhas. quero comprar uma cama nova, ir à festa junina da igreja do lado de casa. os desejos vão até um certo limite.  penso no fim de semana e me imagino querendo te encontrar. faço planos mentais e crio um pequeno castelo visual, mas me desfaço da imagem logo em seguida. você está mais perto do que antes, mas ainda sinto sua falta. agora parece não haver cores como antes, tão cintilantes. é como o céu em dias nublados: claro o bastante para iluminar, difuso o suficiente para incomodar.  me vejo sentindo sozinha e ao sentir que não sou correspondida na mesma intensidade, me despeço do que sinto, um pedaço ...

o imo de tudo.

Essa época do ano sempre traz surpresas, mas neste ano, tem me aparecido o silêncio. Ele, que é resposta e pergunta, acento agudo e circunflexo, frase e oração.  Tenho preferido essa distância do que quer que seja verdade. Sempre prefiro saber, mas neste caso em especial, acho que prefiro esperar. Assim como o cacho de bananas verdes que comprei hoje no mercado, algumas coisas são melhores maduras.  Acho que tenho me preferido como companhia e flanar tem sido meu verbo favorito por não saber direito como me portar ultimamente.  já tive tantos sonhos, tantos, que chega a ser maluco pensar que de todas as vidas que sonhei, essa é a que tenho. Não me leve a mal, acho até que me divirto e tudo mais, mas o que eu vivo agora não chega nem perto do que sonhei.  e talvez a vida adulta seja isso mesmo, quebrar a cara, as expectativas, o pau da barraca. mas será que é isso mesmo? sinto que se deixasse de existir hoje, me veria incompleta. sinto falta de mim, mas mais do que is...

o dia que te reconheci.

nunca escrevi sobre você, pelo menos não até o momento. não sei se porque enquanto vivíamos o que vivemos, eu não pensei em nada além de agora. e depois, quando tudo acabou como festa em que cortam a música, desligam a luz e nos mandam pra casa, fiquei escolhendo quais memórias deveria guardar pra mim.  nunca soube muito bem como me desvencilhar de amores que acontecem até não aconteceram mais. mas acho que dessa vez, foi um pouco além disso, me senti refém de um sentimento durante o ano todo.  uma inquietação, um bloco de concreto crescendo na garganta, um cigarro aceso que já queimou o que tinha pra queimar e que mesmo sem ninguém fumar, continua ali deixando o cheiro intoxicante da nicotina. sinto que agora tudo está se dissolvendo. entre goles de água e outras coisitas más , o meu ressentimento está se transformando em algo menor e mais palatável.  o tempo traz perspectiva para as coisas e olhando pelo retrovisor, sua presença começa a me incomodar menos. acho que eu ...

disposições líquidas

as melodias conversavam comigo frequentemente. as palavras cantadas surgiam como penas que se soltam dos travesseiros: bonitas, mas sem ter como retornar a um lugar de origem. eu repassava os dias e as noites, não como quem busca sinais - ainda acho que não havia equipamento o suficiente para enxergar as rachaduras -, mas como alguém que resgata lembranças.  quando o passado era o presente, não havia tempo e disposição hábeis para reparar. pelo menos comigo, as análises sempre vieram depois do fim. do tão valioso tempo a sós, que de só tem muito pouco.  os gestos nunca passavam desapercebidos, mas as vias respiratórias também não costumam ponderar sobre a respiração. ela simplesmente acontece, até que deixa de acontecer perfeitamente. eu pensava em um mundo inteiro de significados que eu havia aprendido e agora me via sem saber onde usar.  o espaço ininterrupto entre viver uma vida funcional e conhecer o universo de outra pessoa tendem a pressionar o hipocampo ou seja lá ...

thread de despedida.

é engraçado pensar que eu via o meu twitter como um lugar seguro para despejar minhas memórias, arquivar minhas fotos e deixar ali os meus sentimentos mais infames: sem muita coerência ou vergonha e cheios de volatilidade.  e assim como as emoções se dissipavam, os registros agora também se transformaram em coisa nenhuma. deixaram marcas em quem conhecia e insistia em insistir, mesmo com a quantidade absurda de propagandas, inverdades e um dono megalomaníaco. um espaço que me acompanhou durante a adolescência, o início da vida adulta e que pasme, também me fez ver o brasil como uma coisa grande e única, acho que tive ali minha primeira percepção de coletividade nacional.  e ao mesmo tempo em que via como todas as experiências eram universais, também chegaram a mim perspectivas absolutamente únicas.  o que um dia foi um lugar de reclamação rotineira e individual se tornou um espaço de acusações inflamadas, revolta generalizada, onde palavras sem vírgulas não eram o problem...

Os Signos dos Cantores

Música é uma das melhores coisas da minha vida e acredito que na de muita gente também. Ela está presente em diversos lugares e nas mais diversas línguas, mas na última semana ela está ainda mais em evidência aqui no Brasil. Sim, estou falando do Rock in Rio ♥  Inspirada nessa vibe musical, decidi fazer um post sobre os cantores, mas de um jeitinho diferente. Quem me conhece, sabe que eu amo astrologia e, geralmente, acho alguma semelhança entre pessoas do mesmo signo.  Então, para celebrar a minha mania de procurar o aniversário dos cantores, resolvi reunir muitos deles em um post :) Lembrando que podem existir diferenças nos perfis que eu descrevi, dependendo do ascendente e da posição das casas , okay? Agora vai lá, ler :P Áries Os arianos são conhecidos por iniciar, colocar em prática coisas que ainda não foram realizadas. E que, por esse motivo, sempre são lembrados por seus feitos.  Áries é o tempo de começos e isso fica ainda mais evidente a...

A Verdade Sobre os Desenhos

Como qualquer criança normal, eu passei minha infância assistindo desenhos (ainda assisto haha). Só que quando a gente cresce, passa prestar mais atenção ainda neles. Outro dia, eu descobri alguns significados ocultos de um desenho que eu assistia, e resolvi pesquisar MAIS sobre outros. Veja abaixo. 7 Monstrinhos O desenho era exibido na Tv Cultura. E quem era fã mesmo, tinha até a música de abertura decorada hehe. Tudo muito lindo, mas e se eu te dissesse que ele era uma crítica contra o nazismo? Isso mesmo. De acordo com algumas teorias, os 7 monstrinhos representariam a visão dos alemães sobre os judeus.  Eles eram vistos como monstros, possuíam o nariz bem grande, e olha só que coincidência: No campo de concentração, eram identificados por Números. Um dos personagens usava um pijama listrado bem idêntico ao uniforme que os judeus que eram presos tinham que usar, e eles também moravam no sótão (local onde os judeus se escondiam).  Bob Esponja Para o ...