em um dia de domingo, senti que poderia ser plantada. assim, como figura que não imagina ganhar vida com desenho. no seu abraço, senti que poderia ser outra coisa, pessoa. poderia acessar um lugar que até então pra mim, aparentava ser inacessível. um lugar que só se conhece com o outro.
e eu, que por tantas vezes me vi com um terror absoluto sobre o que o outro poderia fazer comigo, desejei o desmonte total de quem eu era. tudo parecia tão natural como nunca antes: as conversas, as caminhadas, as refeições, até mesmo as reclamações.
imaginei que duraríamos até o fim do meu perfume e quando descobri mais dois vidrinhos da mesma fragrância em meu armário, pensei que teríamos chance. você era você, eu era eu. mas me parece que comigo, as coisas nunca são simples.
me sinto mal em deixar de ver alguém com quem gosto tanto de conversar. apesar de contraproducente, sinto que preciso de mais. mereço algo maior do que eu mesma. mereço algo único, cristalino e seguro. mas a consistência que eu preciso, você não pode me dar.
me custa aceitar, mas as coisas são o que são. me vejo ainda querendo te entender, não como quem busca explicações, mas como quem quer saber de você. a boa vontade já não é mais a mesma, mas a curiosidade ainda mora ali, em algum lugar de mim.
sinto muito sentir pouco por quem já senti tanto. quando escrevo, tenho mais vislumbres sobre o que quero dizer do que quando falo. nos encontramos em uma folia carnavalesca noturna e nos despedimos agora com o fim do dia, frente a frente com o desencanto da realidade.
do fundo do meu coração, espero que você encontre o que procura e descubra o que quer que lhe dê paz. quanto a mim, desejo sentir algo tão bom quanto o que vivemos, mas mais real e seguro do que já fui capaz de viver. boas vizinhanças para nós.
vou sentir falta das suas perguntas.

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