em um dia de domingo, senti que poderia ser plantada. assim, como figura que não imagina ganhar vida com desenho. no seu abraço, senti que poderia ser outra coisa, pessoa. poderia acessar um lugar que até então pra mim, aparentava ser inacessível. um lugar que só se conhece com o outro. e eu, que por tantas vezes me vi com um terror absoluto sobre o que o outro poderia fazer comigo, desejei o desmonte total de quem eu era. tudo parecia tão natural como nunca antes: as conversas, as caminhadas, as refeições, até mesmo as reclamações. imaginei que duraríamos até o fim do meu perfume e quando descobri mais dois vidrinhos da mesma fragrância em meu armário, pensei que teríamos chance. você era você, eu era eu. mas me parece que comigo, as coisas nunca são simples. me sinto mal em deixar de ver alguém com quem gosto tanto de conversar. apesar de contraproducente, sinto que preciso de mais. mereço algo maior do que eu mesma. mereço algo único, cristalino e seguro. mas a consistência que eu p...
enquanto me lembro do que eu acreditava ser um rio de duas cores, penso em como tenho me sentido desconectada. são poucas as coisas que me trazem para o presente. choros diários, viagens intensas, demandas do trabalho, tempo com os meus amigos, a escrita por vezes (como agora). não faço ideia de qual caminho devo seguir, minhas pistas são curtas como o aeroporto de congonhas. quero comprar uma cama nova, ir à festa junina da igreja do lado de casa. os desejos vão até um certo limite. penso no fim de semana e me imagino querendo te encontrar. faço planos mentais e crio um pequeno castelo visual, mas me desfaço da imagem logo em seguida. você está mais perto do que antes, mas ainda sinto sua falta. agora parece não haver cores como antes, tão cintilantes. é como o céu em dias nublados: claro o bastante para iluminar, difuso o suficiente para incomodar. me vejo sentindo sozinha e ao sentir que não sou correspondida na mesma intensidade, me despeço do que sinto, um pedaço ...