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tudo aqui tem dedo seu.

E, de repente, eu sabia porque eu era como era.

Enquanto ouvia minha mãe aprendendo um novo jeito de costurar o tapete e o meu pai com sua sagrada vídeo aula sobre o que quer que tivesse a ver com impostos, eu entendi.

Como seres humanos que talvez fossem assim de natureza e, se não é o caso, não sei direito com quem começou, a questão é que seres humanos que conviveram por muitos anos juntos adquirem costumes interessantes.
Éramos viciados em aprender e estarmos ocupados.

Assim como nós, não sei se os vícios surgiram juntos ou se eles coexistiam um ajudando o outro a se manter.

Meu irmão não entendia essa nossa vontade estranha de ficar sozinho estando junto, cada qual com seu mundo.
Era raro quando ele se entretinha com algo sem que houvesse alguém pra assistir. Suas descobertas precisavam de plateia, enquanto que as nossas necessitavam de silêncio para serem admiradas.
Ele olhava a quantidade de vozes e sons que cercavam cada um e sem entender, passou a observar.
Guardava em sua cabeça nos…
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estou cansada de matar formigas.

Estou cansada de matar formigas.
Uma a uma, elas vão me desconcentrando. Me fazem revirar os olhos, tirar as coisas do lugar, tudo para obter um melhor ângulo de ataque. Às vezes, confesso que até perco o apetite com tantas mortes.
Dependendo do horário, são muitas. E quanto maior o número, mais inconveniente a situação se torna. Deixei de usar relógio no pulso, porque sempre que eu o olhava procurando as horas, encontrava uma delas me escalando.
O que me tornava um ponto tão interessante de escalada? Saberiam elas que eu era a assassina secreta de seu grupo? Ou seria eu um mero meio de transporte conveniente o bastante para valer o risco de ser capturada?
Seriam elas unidas? Duas ou três serviriam de isca como sacrifício para o restante? Eu matava quase que inconscientemente, pelo hábito, e não porque temia um ataque sorrateiro.
Haveria um ataque sorrateiro, mas barulhento o bastante para me acordar durante a noite e não me fazer pegar no sono quando todos fazem o mesmo?
Elas passaram o ve…

hoje não é um bom dia pra escrever.

Hoje não é um bom dia para escrever. Li minha escritora favorita, ouvi a música que tem me emocionado nas últimas semanas e, mesmo assim, nada. Acho engraçado essa coisa que a gente tem de criar um ambiente pra deixar escorrer algumas palavras - como se fosse algum tipo de ritual sagrado -. 

Mas apesar dos esforços, algumas coisas não podem ser planejadas. Às vezes, você está no meio do ônibus com o triplo de gente do que caberia ali, a temperatura nas alturas e BAM. Uma grande ideia. Você até tenta pegar o celular escondido no bolso da frente debaixo de um casaco dobrado na cintura (evitando algum tipo de furto), mas você ainda é muito amadora no circular. 
A ideia fica na cabeça o caminho todo e vai se remexendo dentro de você enquanto você chega na sua rua juntamente com a chuva que logo começa a cair. No primeiro passo dentro do prédio, já com o celular na mão, você anota. Parecia mais genial dentro do ônibus. E talvez tivesse florescido mais se você não estivesse se focando em guar…

como é que a gente se despede da gente?

Quando Ted, de How i met your mother, está prestes a deixar Nova York na nona (e infinita) temporada, ele faz uma lista de coisas que ele sentirá saudade de fazer na cidade. E ao listar as últimas vezes, sua amiga Lily lhe dá um conselho:

“Você escreveu todas essas coisas para as quais dizer adeus. Mas há tantas coisas boas. Por que não dizer adeus às coisas ruins? Diga adeus a todas as vezes que você se sentiu perdido. Para todas os ‘nãos’, ao invés dos ‘sims’. Para todos os arranhões e contusões. Para toda a mágoa. Diga adeus a tudo aquilo que você realmente deseja fazer pela última vez”.
Quem já se mudou, sabe. Em meio a pilhas de coisas pra fazer e arrumar, parece que tudo vem acompanhado pelo gosto do que não iremos provar novamente. A rua onde a gente não vai mais se perder ou a biblioteca a qual não iremos mais pra pensar. A pessoa do outro lado do corredor a quem não mais recorreremos em tempos de novidades e dificuldades ou até mesmo o parque onde a gente já nasceu de tantas fo…

o mesmo não é mais quem ele dizia ser.

Vestindo as lentes da verdade da vez, eu consigo ver.


Dessa vez, a claridade não me assusta. Não estou no ponto mais elevado do céu, mas daqui é possível perceber o rumo que as coisas estão tomando.
A vista é diferente. a mesma gente usa roupas diferentes e o sentimento é outro.

Quase dá pra sentir o frescor no ar. Estamos na mira do verão e além do suor e da saliva, não se sabe muito bem o que esperar.

Os caminhos parecem sinuosos o bastante para tentarmos percorrê-los. e apesar dos temores, a vontade de dar cada passo parece maior que o medo de se perder.
Já sabemos que vai acontecer. É só olhar para os lados e perguntar para os moradores. Todos já sabem que na próxima estação, nós não seremos nós e não estaremos aqui.
Voltaremos outros vestidos com as mesmas capas brilhantes que sempre nos protegeram.

Dentro é seguro e a gente consegue enxergar o que é que o lá fora esconde.

A chuva de verão não vai nos molhar o bastante.
Não mergulharemos no mar o suficiente para cobrirmos nossos anseios.
N…