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até certo ponto.

Eu não sabia bem o porquê. Mas aquela cena não saía da minha cabeça. A garota que traía o namorado - logo eu, que nunca namorei direito pra trair - e o mandava embora de sua vida por acreditar que não merecia alguém assim. Saudável. Um amor daqueles tranquilos que faz a vida ficar boa. Melhor até do que ela podia suspeitar.  Ela o mandava embora com pressa, como se fosse óbvio para os dois que aquela relação não tinha mais um lugar para ser. A feição dele passava da surpresa para o choque conforme ela dizia fragmentos do que queria. Eram ideias soltas sem uma narrativa que as amarrasse ou um cuidado que as despejasse de maneira mais palatável.  O episódio havia contado sua história familiar e, por mais que suas escolhas fossem questionáveis, elas eram compreensíveis. Mas Mia - nome da personagem da série a qual eu estava assistindo - tinha motivos. Por mais que ela própria não entendesse. O narrador e os roteiristas da série faziam questão de nos explicar.  Mas confesso que eu não sabi
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sou só eu aqui.

Vou confessar uma coisinha. Apesar de eu ter desaparecido daqui, eu nunca parei de escrever. Apenas parei de postar. Talvez por ter abandonado o formato  crônica  ou por ter passado muito tempo - basicamente os últimos 2 anos - achando que nada do que eu escrevesse merecia ser lido justamente porque estávamos (estamos?) à beira de um colapso sanitário, político e psicológico. Passando tanto tempo dentro de casa e olhando o mundo sob lentes que enxergavam muito mais do que sou capaz, eu me vi ser engolida. Assim, como quem tá passando na rua e do nada vê aquilo se desfazer. Na minha cabeça, nada do que eu sentia, pensava, dizia poderia ser necessário para qualquer pessoa. Era melhor ficar na minha. Os outros que falassem o que precisa ser dito. Para mim, de nada valia o meu mundo interno, enquanto tanta gente estava passando por tanta coisa. Tanta coisa que a gente não viu e só ouviu falar. Eu tinha pra mim que eu nunca mais voltaria. Quando eu sentia a vontade da escrita chegar, eu co

começar sem acabar e acabar sem começar

de longe, consigo ver três livros que comecei ano passado e que nunca nem cheguei a saber como acabavam.  cada objeto na mesinha do meu quarto grita uma coisa ainda incompleta. o hd, esperando a tão sonhada organização das fotos; o livro novo esperando ser lido; o caderno de anotações (que eu prometi escrita todos os dias) não vê um escrito já faz tempo. um a um, eles somam algumas de minhas vontades que não foram pra frente. e esses são só exemplos palpáveis, terrenos e mundanos. ainda tem aqueles que não são muito específicos, são ideias, desejos e histórias que mereciam um desfecho ou talvez até uma continuação. mereciam mais do que apenas serem abandonados num canto esquecido. mas será que tudo realmente precisa caminhar para algum lugar? sinto que estou tão acostumada a ler, ouvir e assistir histórias que se constroem sobre um tempo com começo, meio e fim, que me esqueço que a cronologia real nem sempre é como achamos.  algumas pontas soltas se deixam soltar por anos, antes de mos

em Love Life, o amor é lente pra gente se enxergar.

Era tarde da noite e eu queria assistir algo novo, mas que também fosse familiar. Passando pela lista de filmes e séries, encontrei um pôster com Anna Kendrick . Que pra mim, é a Fernanda Torres americana.  As duas são donas de um senso de humor ácido bem equilibrado.  Anna faz graça se autodepreciando, enquanto Fernanda arranca riso quando se faz de doida. Pois bem, o pôster que despertou minha atenção atenção era da série Love Life .  A premissa me prometia tudo aquilo que eu amava: uma comédia romântica que explorava os relacionamentos de Darby , personagem de Anna, durante uma década de sua vida. Seria uma versão de How I Met Your Mother feminina (e menos politicamente incorreta)?, pensei. Apostei meus últimos minutos acordada e acabei perdendo meu sono. Love Life ganha complexidade com o passar dos episódios.  Ela parte do princípio de que existe uma probabilidade sobre a quantidade de relações que cada ser humano terá ao longo da vida e a história acaba ganhando cenários caótico

como é que tá aí?

O pantanal tá queimando e eu não consigo  ver uma saída pra retroceder.  O tempo tá passando estranho e  há um ano eu podia te ver.  Hoje só dá engano  e eu não posso ir até você.  Os meses tão se demorando,  mas a minha idade não demora a aparecer. Eu sinto o clima pela minha porta  e da janela vejo a cidade.  Vejo a areia lotada de almas  entortando a curva com serenidade.   eu continuo sempre desleixada,  sem saber o que quero pra mim.  viver da arte, me vender em sampa  ou uma vida mochileira enfim.  se eu não decido,  sei bem que a vida  decide por mim.  mas desse ponto eu não gostei nadinha e não me atrevo  a descer aqui.  se me desmancho na sacada,  tenho certeza que tenho plateia.  sem reembolso,  a peça livre é da garota que não tinha ideia.  a relação que tenho com essa casa  é quase de dependência pura.  é uma mistura assim de gratidão  e prisão que construí  numa hora bem escura.  o teto sempre mudo vê  que as paredes falam  pelos cotovelos.  e eu sei que quando pulo,  cai