segunda-feira, 28 de julho de 2014

O Velho Medo de Altura

A cada segundo que passa, algo acontece. Pessoas chegam e vão embora, sorriem e choram, amam e odeiam. Enquanto isso, o mundo dá voltas. Nós respiramos e vivemos como se nada estivesse acontecendo. Como se tudo estivesse parado. Quando, na verdade, está em movimento. Nós que estamos olhando para a direção errada.

Em meio a buzinas, sirenes e afins, nos perdemos da atração principal: a vida. Sempre alegando que estamos atrasados. Mas o que realmente ocorre, é que somos soterrados pela nossa ideia de tempo. Para que criaram as horas, se frequentemente as ignoramos?

Ultimamente tenho me sentido perdida no meio disso tudo. É como se eu tentasse sair da montanha russa no momento crucial da descida. Infinitas subidas e descidas. Nada estável. Pelo contrário, mais movimentado do que de costume.

O que acontece é que está na hora de mudar. E ver que todos estão conseguindo acompanhar as mudanças, me deixa insegura. Como se eu estivesse ficando para trás. Tudo é tão incerto. Parece não haver um caminho definido. Se eu estivesse bem no momento, diria que assim é a vida, e essa é a graça dela.

Mas aparentemente, eu fui a única a não entender a piada. Ou melhor, eu entendi, apenas não estou conseguindo processar. Talvez o meu processador tenha estragado com a maresia. Quem sabe, né?

É como enfrentar seu sonho e pesadelo ao mesmo instante. O que você mais quer e o que você mais teme. Infelizmente, os dois estão na mesma direção. E há uma estrada bem longa pra chegar neles.

Eu não estou me movendo com meus próprios pés. Estou sendo empurrada pela multidão. É como entrar na estação da Sé nos horários de pico. Você não tem escolha, apenas segue o fluxo. Mesmo que isso não seja o que você queira. Respira fundo, segue em frente, com vontade de pular do metrô mais próximo.

Apenas para poder controlar algo e pensar com mais clareza. Ganhar um pouco mais de tempo. Mesmo que você se perca de quem o está empurrando. Mesmo que a sua direção não o leve a lugar nenhum. Você só quer se conhecer e perder o medo da montanha russa. Quer enfrentá-la, ainda que isso a atrase. Nos dias, nas horas, nas contas, nos sonhos. 

Foto: We Heart It
Texto: Carol Chagas

3 comentários:

  1. Puxa, gostei muito do texto, de verdade. Sua forma de escrever é cheia de vida, a relação com coisas do cotidiano me transportou para dentro do teu texto. Parabéns! (amei o pedaço: "É como enfrentar seu sonho e pesadelo ao mesmo instante. O que você mais quer e o que você mais teme.")

    http://dreams-books-love.blogspot.com.br/

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