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Clareiamô.

Fevereiro, 2018. 

Eu conheci o amor. E por não vivê-lo por completo, me perdi nele. Da cabeça aos pés.


Eu era 100% amor (ou o que eu achava que era pelo menos). Do tipo que fazia com que eu me sentisse conectada a pessoa, mesmo que o meu wi-fi não funcionasse. Do tipo de amor que doía estar longe. E do tipo que quando terminava, não se esquecia.

Após o fim, a distância emocional parecia algum tipo de abstinência desconhecida que queimava. E pra parar de doer, eu me anestesiava. Ao chegar em casa, o espelho era a última coisa que eu queria encontrar.

Á procura de paz, me joguei no esquecimento. Me distraí até não me lembrar mais das perguntas que eu tinha e que pediam por resposta. Eu sabia que naquele momento, eu não entenderia nenhuma delas. 

De tanto me esquecer, me ceguei. E errei. Repetidas vezes. Por vezes, os mesmos erros. Com as mesmas pessoas. 

Á procura de um poço para chamar de meu, cavei minha própria cova. Mas por sorte, o tempo passou. E por mais clichê que pareça, ele realmente melhora tudo.  

E quando isso aconteceu, encarei o tal do espelho. E não gostei muito do que vi. Prometi pra mim mesma que por pior que fosse o meu reflexo, eu sempre iria enxergá-lo. E amá-lo. Porque era eu ali. E eu me amava. Por mais perdida que estivesse.

Hoje vejo que lá atrás, conheci a paixão. Não o amor. Ela virou o meu mundo de cabeça pra baixo. E eu amei. E odiei. Foi como encontrar um tsunami e achar que mergulhar nele faria com que eu escapasse ilesa. 

Erro de principiante.

Depois de encarar meu espelho e voltar a enxergar, eu mergulhei dentro de mim.

E encontrei tanto. Partes de mim que eu até já havia me esquecido de que tinha. E partes novas que eu não fazia ideia de que queria ser. 

Esse mergulho foi descoberta, aceitação e entendimento. Foi um abraço do universo dizendo que o mundo é muito grande e ainda há muito a se ver e sentir. 

Encontrei paz. E vontade de mudar.

Hoje sinto que conheço o amor. E ele não está somente em uma pessoa, em memórias ou em um lugar. Mas em todo pedaço de vida que eu encontro por aí. 

Porque amor é livre e se transforma.

Amor é luz

E a gente precisa dele pra clarear as coisas. 
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Texto e foto: Carol Chagas

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