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A gente muda e o mundo muda junto.

A praia tá ali, onde sempre esteve. E eu estou no mesmo banco, onde sempre fiquei pra observar as ondas. No lugar perfeito onde eu posso observá-las, mas não preciso fazer parte delas. 

É engraçado como os lugares mudam (mesmo que não tenham mudado), quando a gente muda também. A areia continua da mesma cor. E o céu ainda veste aquele azul clarinho que, pra mim, costumava ser o azul mais vivo que eu já tinha conhecido. 

Até eu mudar. E viver sob um céu que usa um azul mais forte. E morar numa cidade onde as estações são super definidas e eu quase não sinto calor. 

Ali, naquele banco, eu sempre me senti livre. Mas hoje, a atmosfera me prendia. Aquele calçadão que eu tanto amava e que era pra mim, um símbolo de liberdade, mais parecia agora uma gaiolinha de maior extensão. 

O verão que antes parecia um inferninho com tantos turistas, hoje é uma oportunidade. De aproveitar aquilo que não faz mais parte da minha vida. De tentar, mesmo que erroneamente, fazer as coisas voltarem ao normal. Mesmo que isso seja impossível. Quando você muda, não tem mais volta não. Se isso é bom ou ruim, algum dia eu vou descobrir.

Estar de férias em um lugar que costumava ser a sua casa é como viver com uma ampulheta grudada no pulso e não saber pra onde e pra quem direcionar sua atenção. Você conhece os melhores restaurantes e já sabe de cor as lojas de roupas mais baratas. Porém não sabe quem merece o teu tempo investido. 

Mas olhando agora pra trás (não literalmente, é claro, ainda tô no banco olhando as ondas), eu estou satisfeita. Acho que pela primeira vez na vida, as minhas expectativas não me atropelaram no meio do caminho. O que há um ano atrás, seria impossível, já que meu corpo era 75% água e 25% idealização. 

Apesar de ter pulado algumas ondas nos últimos meses, meus pés estão bem grudadinhos na calçada. E isso fez com que eu percebesse que algumas coisas são mais simples do que a gente imagina. Enquanto outras são complexas o bastante para não levarmos na mala. 

Deixo para trás o sal do mar e o cloro da piscina e volto pro cheiro maravilhoso de natureza do interior. Levo na bolsa minhas questões mal resolvidas e meu sorriso. Se algum dia deixei de aproveitar intensamente a vida, não me lembro.       

Foto e texto: Carol Chagas


Comentários

  1. Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou. Assim, tudo é regido pela dialética, a tensão e o revezamento dos opostos. Portanto, o real é sempre fruto da mudança, ou seja, do combate entre os contrários.
    Heráclito

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    Respostas
    1. Acho que nunca me identifiquei tanto com uma citação como essa aí

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