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Sobre Sair da Zona de Conforto

Ficou parecido? HAHAHAHA
Chego tímida e entro na livraria. A movimentação parecia como em qualquer dia normal. A única coisa que a diferenciava era um amontoado de cadeiras e uma mesa com flores encostados na janela. 

Entrei com uma vontade de dar meia-volta e ir para a sorveteria mais próxima. Mas uma vendedora observou meu olhar perdido e perguntou se eu queria comprar algo. "Lógico, mas estou sem grana", disse internamente. 

Expliquei entre um sorrisinho e outro de 'ME AJUDA' que eu havia recebido um e-mail sobre um concurso de crônicas. Para minha alegria, ela sabia do que eu estava falando. Jurava que tinha sido enganada e tudo era um trote. 

A moça me levou até uma senhorinha pra lá de sorridente e foi aí que eu olhei ao meu redor e percebi: estava cercada de idosos. Não vou negar que eu os adoro (desculpa, crianças), mas o concurso era aberto para jovens, então não pude deixar de pensar: será que ninguém tinha se inscrito? 

A senhorinha fofa perguntou o meu nome e logo me achou na lista. Em seguida, abriu um sorriso ainda maior. "Você que ganhou?". "Oi?", eu mais perdida impossível. Segundo ela, eu havia ganhado. Okay. Posso lidar com isso. 

Sentei no lugarzinho mais perto da porta, questão de sobrevivência. E lá fiquei. Aparentemente a galera se conhecia, todos pareciam estar colocando o papo em dia, sabe? 

Para fazer algo de útil, resolvi concentrar toda a minha energia em lembrar qual era a crônica que eu havia mandado para o concurso. Não é que eu seja esquecida (sou um pouco), mas eu havia me inscrito há uns 8 meses. Lembrei qual era o texto e senti como se o meu dever estivesse cumprido. 

2 pessoas da minha idade (as únicas do lugar) se sentaram do meu lado e a minha vontade foi falar loucamente com elas, porém permaneci quieta. Sabe quando dois amigos estão conversando entre eles e um estranho não tem vez? Então. 

Um cara com um microfone apareceu na frente da mesa com flores. Deduzi que ele ia entregar os prêmios. Ele começou a dar uma introdução da importância da literatura como um bom apresentador. 

E depois disso, passou a falar as categorias dos inscritos (crônica, poesia) e os nomes das pessoas e seus respectivos lugares. E é nesse momento que rolou um problema. Eu tenho uma certa dificuldade em permanecer presente (de corpo, alma e pensamento) por muito tempo em um lugar. 

Então, digamos que eu estava meio ausente quando me chamaram. Só vi diversas cabeças viradas na minha direção e instantaneamente abri um sorrisão amarelo. O apresentador me chamou lá na frente para eu buscar o prêmio. 

E o legal é que eu não sabia em que posição havia ficado. Ele elogiou o meu texto e pediu para eu falar no microfone (!!!!!!!!!!). Sou tímida como uma porta (não que portas sejam tímidas) e isso foi very complicated. Mas rolou, sabe? Foi como arrancar um band-aid recém colocado :) 

Voltei á minha cadeira (MEU PORTO SEGURO). E olhei os prêmios. Havia ganhado um baú fofo, um livro de contos, um dvd com a história da minha cidade (que eu nunca soube da existência) e uma toalhinha. Procurei um número ou qualquer coisa que identifique em qual posição eu havia ficado, mas não encontrei nada. Ops. 

Aquela mesma senhorinha que me recepcionou, chegou do meu lado e disse que eu tinha direito á uma caricatura. Saí da livraria e sentei de frente para um cara estranho. Minha mãe o definiria como artista temperamental. Eu odeio olhar para o rosto das pessoas, então digamos que eu tenha saído novamente da minha zona de conforto. 

Quando o cara terminou o desenho, me perguntou em qual lugar eu havia ficado. "Migo, também queria saber", pensei né. Falei que era 1º, porque não sou humilde haha :P E ele deve ter pensado que eu era incapacitada mentalmente. Acontece. 

Minha caricatura não ficou nada parecida comigo, mas de graça ele podia me desenhar até com espinhas que eu não ligaria. Voltei ao meu lugar, bem a tempo de ver um senhorzinho usando e abusando do microfone. Não consigo explicar com palavras sobre como aquilo foi hilário. 

Por fim, a premiação acabou e até rolaram algumas comidinhas :) Foi um evento simples? Foi. Mas também foi pra lá de bonito. Qualquer dia que você saia de casa (e da zona de conforto) e quebre algumas barreiras vale a pena. 

Mesmo que isso signifique que você vá falar no microfone sobre um texto que fez num momento choroso para vários idosos e ganhe uma caricatura que não tem nada a ver com você. Experiências formam a nossa identidade e, quanto mais diversas elas forem, mais completos seremos. 

Foto e Texto: Carol Chagas

Comentários

  1. Que divertido!
    Adorei a caricatura

    http://meubaudeestrelas.blogspot.com.br/

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  2. Parabéns,premiação merecida.Você tem talento e habilidade inata nesse ramo

    ResponderExcluir

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