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Esse novo eu vai chegar.

Maracujá me acalma, me deixa pensativa e sonolenta. Assim como as férias e a casa de meus pais. É como se eu relaxasse os ombros e esquecesse os redemoinhos que de vez em quando esbarram na gente. 

Também me sinto um tanto quanto invencível, como uma criança que termina de brincar lá fora e volta pra dentro pra comer pão com presunto e ver tv. Não sinto medo nem das tormentas que volta e meia surgem. 

Mas às vezes faço morada em uma zona de conforto, confesso. Evito viver quando não tô no mar. A troca salina é silenciosa e abraça a gente como quem quer levar pra dentro. A água nos testa. Se vamos ficar de pé, mesmo que ela se quebre em nós como quem não quer nada. Ela quer ver se vamos continuar.

Não tenho me sentido eu mesma ultimamente. Acho que é uma daquelas semanas em que a gente percebe que tá mudando e não tem muito o que fazer a não ser esperar. Não tenho um discurso inflamado pra brandar aos ventos ou uma história interessante pra contar aos amigos. Dessa vez, não é um drama. É inevitável. 

Um novo eu vai chegar. Nos apresentaremos. E o levarei pra passear. Lhe darei suco de maracujá. Nos entenderemos. Seremos amigos que se cativam, se respeitam e se dão um com o outro. Cresceremos juntos. Até o dia em que não fizer mais sentido ser assim. Levaremos lembranças, seremos gratos e nos despediremos. 

Como estranhos conhecidos que hoje são estrelas. 

Não deixaremos de ser, nos transformaremos em pessoas que não posso dizer como são.

Ainda não as conheço.

Ainda não as sou.

Mas logo serei quando o descompasso for sentido.
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Foto e texto: Carol Chagas

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