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A Beleza do Erro

Quando eu tinha 13 anos, me apaixonei por um carinha do colégio. Na época, eu não sabia o que era tudo aquilo que eu estava sentindo (e confesso que ainda não sei quando acontece). Some essa inexperiência a quantidade de filmes de comédia romântica que eu assistia. Sim, péssima combinação. 

Me lembro de querer namorá-lo e fazer todas aquelas coisas que eu via os meus personagens favoritos fazendo. Só que havia um porém no meio disso tudo. Eu gostava dele, mas em segredo. 

Ele sabia, minha sala sabia. Mas de alguma forma, nós não chegávamos a ter uma real conversa. Não sobre o fato de gostarmos um do outro, mas sobre coisas simples como o fato de eu também adorar Coldplay. 

Um beijo aqui, outro ali. Que apenas alimentavam a minha ideia de primeiro amor, mas que no fundo, não passavam de ilusão. Eu não conhecia ele como pessoa e apenas o via como um personagem do meu próprio filme. Nada mais. 

Quando ouvi um boato sobre o que a minha paixonite falava de mim, foi como se aquele meu castelinho de cartas tivesse desmoronado. Na época, isso foi o fim do mundo pra mim. Havia arranjado todos os motivos para ouvir músicas deprês e ficar escrevendo poemas soltos sobre como o meu coração estava partido. Coisa de pré-adolescente né? Cof, Cof

Eu poderia ter simplesmente perguntado ao menino se ele realmente havia dito o que haviam me contado. Só pra tirar a história a limpo, sabe? Ou até mesmo ter questionado o porque dele ter dito. Mas não o fiz. 

Era muito para o meu pobre recém-descoberto coração de 13 anos. Eu me fechei. Não o olhava mais nos olhos, na verdade, fazia o possível para que eles não se cruzassem. Era mal-educada quando ele falava comigo. O que na minha cabeça fazia todo o sentido. Mas na dele, provavelmente não era assim. 

Eu agi que nem uma menina louca completamente sem noção. E quando ele seguiu em frente, eu apenas não conseguia mais vê-lo todos os dias. Já tinha 14 anos, mas as coisas não haviam mudado muito. 

Saí da escola. Mas o vi umas duas, três vezes depois disso. E sempre me perguntei o que poderia ter acontecido se eu tivesse apenas perguntado "Hey, fulano que gosta de Coldplay, você disse aquilo sobre mim?". Ele poderia ter dito não ou sim. Quem é que sabe? 

Mas se eu aprendi algo com isso, foi a sempre enxergar o lado bom de experiências ruins. Cada pessoa que passa pela nossa vida, deixa algo. De bom, de ruim. Cabe a você filtrar isso tudo e identificar aquilo que te ensinou algo. E é por isso que eu fiz questão de anotar. Pra não esquecer ou pra lembrar quando precisar:

1) Boca não serve apenas para beijar, converse com a pessoa por trás dela.

2) Se tem algum problema com uma pessoa, que você goste ou não, simplesmente fale com ela.

3) Se importar com o outro pode parecer fraqueza, mas te deixa mais forte a longo prazo.

4) A vida não é como um filme. E pessoas não são personagens. Viva sem rótulos e roteiros.

5) Não escute o que os outros dizem de quem você gosta, tire suas próprias conclusões, estando elas certas ou erradas.

Hoje, posso me orgulhar em dizer que não repeti nenhum dos erros acima. Cometi muitos outros haha. Acho que essa é a graça da vida. Errar muito. Aprender muito. Mas errar de modos diferentes. Sempre. 

O tempo passa muito rápido para cometermos os mesmos erros. E cá estou eu, errando como se não houvesse o amanhã. 13, 18 ou 30 anos. Ainda tem muitos enganos por vir. Mas também tem acertos. Dos mais variados tipos. É só esperar e perder o medo de errar ;) 

Ps: Ainda gosto de Coldplay.

Texto: Carol Chagas
Foto: We Heart It

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