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O que aprendi com um filme ruim

A visita a Jundiaí estava ótima, até então. Como o boliche estava fechado, resolvemos ir ao cinema, (tentar) ver um filme. O filme, especificamente. Já tínhamos tentado vê-lo no dia anterior e eu já havia tentado ver na minha cidade, mas não tinha dado certo.

Acho que o negócio era comigo hehe. Ao irmos a bilheteria, não conseguimos comprar no horário que queríamos e acabamos indo na última sessão. Ainda assim, era alguma coisa. Até que um lampejo de ideia passou por todas nós.

"Por que a gente não assiste um filme nesse meio tempo?". Parecia algo racional, certo. Só iríamos esperar meia hora, e depois o assistiríamos. Sabe quando você tem uma intuição de que não vai dar certo? Então.

Pra começar, o filme era mexicano. Nada contra, eu apenas não conhecia nada, além de novelas. E eu as achava ruins (com algumas exceções). O filme começou como comédia. Aquelas bem fracas, sabe? Com piadinhas sem graças, mas isso meio que me deixou aliviada. Comédias fracas duram pouco tempo. Iludida!

O filme estava se prolongando a uma parte que eu achei que seria a mais rápida da história. Aquela parte que geralmente conta como tudo aconteceu, para depois vir o desenrolar do filme. Mau sinal!

A primeira parte havia terminado. Ufa! Agora sim, a história vai acontecer. HAHA iludida. A história aconteceu, esta parte (por se passar nos Estados Unidos) havia se transformado em um filme americano. 

Pra chacoalhar a mesmice da trama, ocorreu a parte que todos nós esperávamos, a parte que a sinopse prometia, e que deixava o público com vontade de vê-lo. E é aí que ele se transformou em um drama. Doença terminal, disputa judicial, fuga para outro país e morte.

Eu estava certa em estar desconfiada. O filme mexicano era na verdade, uma verdadeira novela mexicana. E elas fazem isso, criam fatos que surpreendem o público ou que despertem alguma emoção nele. Mesmo que não faça nenhum sentido pra história.

Não significa que ele está errado. Nem que eu estou certa. Assim que as luzes se acenderam, ouvi um menino soltar um: "Que Bosta!". O mais triste era que eu concordava com ele. Mas será que de tanto assistir filmes americanos, eu não estava contaminada?

Tão acostumada a este estilo, que não conseguia achar graça em mais nenhum outro? Seria esse o motivo de nós reclamarmos tanto do cinema nacional? Eu nunca vou saber. Só sei que aquelas duas horas foram as mais longas da minha vida. E que aquele filme foi o único, o qual eu cogitei sair da sala.

Após esta sessão, nós fomos assistir ao filme que nós originalmente íamos ver. Este era menos apelativo e mais engraçado em si, mas também americano. O que só fez com que eu pensasse na ideia de ter sido tão americanizada, que já estava programada a gostar deste filme. 

Mesmo que ele durasse duas horas e aparecessem doença terminal, disputa judicial, fuga para outro país e morte. Garanto que ninguém iria suspirar "Que bosta!" no final do filme.

Obs: Não vou mencionar o nome do filme, porque isso seria sacanagem. 


Texto: Carol Chagas
Foto: We Heart It

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