segunda-feira, 19 de novembro de 2018

E quando voltar vira costume?

Janeiro, 2018.
Sou viciada em comer brigadeiro de panela nos dias tristes, desarrumar meu guarda-roupa nas manhãs corridas e participar de relacionamentos iô-iô quando tenho chance. Eu já fazia ideia da existência dos dois primeiros, mas o terceiro foi descoberto há pouco tempo. 

Eu acreditava que a culpa era das pessoas com quem eu me relacionava, mas só porque alguém bate na sua porta, não quer dizer que você precise atendê-la. Depois de algumas sessões na terapia, descobri um padrão emocional não-saudável existente nas minhas relações.  

Nos últimos 3 anos, tenho brincado de batata quente com todas as pessoas por quem me interesso. Elas somem e voltam, assim como eu. Existe uma fenda no tempo em que as coisas "dão certo", mas logo depois, bate um cansaço. Enjoo. Preguiça até. É como se tudo estivesse garantido. Confortável. Seguro demais.

Depois de um tempo, alguém sempre termina. E é aí que chega a liberdade. Eu me sinto solta. Desamarrada no universo e pronta pra conquistar tudo aquilo que eu quero. Após o pico de energia, vem a saudade. Se eu terminei, me arrependo. Esqueço o motivo. É só esbarrar em qualquer tipo de álcool ou a autoestima despencar um pouquinho, que eu volto atrás. Digo que tenho saudade.

E geralmente, a gente volta.

É como se meu status de relacionamento fosse um eterno desfile do dia de finados. 

E preciso comentar que, nem sempre volto para o último ex. Mas para o penúltimo, antepenúltimo até. Juro que eu não tenho medo de ficar sozinha, mas confesso que eu tenho medo do novo, apego ao conhecido e um receio do tamanho do mundo em não ser amada.

Em 2018, cultivei o amor-próprio mais do que nunca em minha vida. Mas parece que é só alguém chegar, que eu esqueço de regar, cortar as ervas daninhas e cultivar tudo aquilo que pertence somente a mim.

Eu fico deslumbrada. Não pela pessoa. Mas pela possibilidade de sentir algo forte o bastante para me transformar. E eu fico com medo também. É como se alguém apontasse uma arma pra minha cabeça e ao mesmo tempo, me oferecesse um chocolate com sabor do fruto proibido.

Sozinha, tudo parece estar no lugar. E eu pareço morar dentro de mim mesma com tranquilidade e paz de espírito.

Mas quando alguém chega na equação, parece que tudo vai por água a baixo e a relação se transforma em meu inferno pessoal. 

Hoje acredito que nunca vivi um relacionamento saudável. Devido ao caos de alguém ou ao meu próprio. Então, acho que eu não sei acertar (pelo menos não por enquanto) sem cair nos velhos padrões de atirar pra longe e querer de volta logo em seguida.

Deixarei aqui prometido: tentarei não atender telefonemas (e não ligar também) de conhecidos e em troca, pretendo esperar por um pedaço de amor tranquilo que não me machuque e onde eu não me perca de quem eu sou de verdade.
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E tu? Já brincou de iô-iô com antigos amores?


Foto e texto: Carol Chagas

2 comentários:

  1. Me sinto tão bem lendo seus textos, te achei aleatoriamente pelo youtube a um tempo, hoje lembrei desse blog e consegui encontrar no google. Saiba que seus textos são ótimos, sempre me confortam, meio esquisito, eu sei, mals. Bom trabalho

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  2. Cara, muito obrigada por este comentário! Fico feliz que meus textos te confortem =)

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Pode comentar que eu não mordo :P

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