quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Derr(amado).

Sou do tipo que sofre calada e tem dificuldade pra chorar. Alguns amigos até oferecem o ombro e os ouvidos, mas na maioria das vezes, eu me sinto mal em usá-los. Não tem jeito, eu só transbordo quando escrevo. São nesses momentos em que eu peço ajuda pra única pessoa que me deve atenção: eu mesma

Eu sinto, me reviro do avesso e esfrego na minha cara o que o consciente insiste em tentar esconder de mim. É como se cada palavra agora escrita pudesse preencher os buracos de bala perdida que a alma insiste em carregar. Não sou poeta, nem escritora, apenas sinto. E não é pouco. 

Meus sentimentos são como vinho quando derrubado em um tapete. A mancha só aumenta e não tem muito o que fazer. Quanto mais você tenta limpá-la, maior ela se torna. E acredito que por mais que o tapete volte a cor original, ele nunca mais será o mesmo. A mancha pode até sair, mas você sabe onde e em qual intensidade ela já esteve. 

Pode ser que ninguém perceba e que você consiga lidar com isso. Mas pode ser que isso te afete. E você não queira mais tomar vinho. Mesmo que o sabor e o efeito sejam incríveis, talvez você se prenda ao fato de que às vezes o copo cai ou alguém o derruba. 

E uma vez derramado, consertar tudo torna-se difícil. Os cacos são fáceis de juntar, mas o vinho é mais complexo. É como se você se questionasse o porquê de ele ter caído, mas também quisesse saber como transformar o seu tapete no que ele era antes. 

Às vezes escolhemos ser inundados pela maior quantidade de vinhos possível, mas não é a mesma coisa. O sabor não é mesmo. É como se a gente não sentisse nada. E o vazio é estranho para quem tinha seus espaços preenchidos todos os dias. 

Eu sei que vai passar e a maioria dos dias são felizes. Mas quando uma noite é exceção, me sinto como uma alcoólatra prestes a tomar um porre. E é por bem pouco que eu não boto tudo a perder. 

O tapete já está limpo e eu tô cuidando muito bem da minha adega antes de comprar qualquer vinho que mereça estar nela. Mas isso não impede que a sede me atrapalhe no caminho.

Texto: Carol Chagas

2 comentários:

  1. Vim parar aqui por causa de um vídeo seu, aquele sobre trancar a faculdade. Eu me senti tão melhor quando assisti que eu chorei, de verdade, chorei por assistir e sentir que, além de estar falando aquilo pra um monte de gente, também estava falando pra mim.

    Não consegui conter a vontade de vir espiar seu blog, visto que eu amo blogs e até estou tentando ter um. Eu adorei esse texto, juro!
    Você expressou tão bem o que sentia que eu me arrepiei. Você pode não "ser poeta e nem escritora" como disse no texto, mas "sente" e expressa isso de um jeito muito legal.

    Vou continuar passeando por aqui :)

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    Respostas
    1. Toda vez que eu vejo um comentário assim, deixo de me sentir sozinha no mesmo instante. Fico feliz que o vídeo tenha te ajudado, porque com certeza me ajudou quando eu o gravei haha.

      Obrigada pelo que você disse e se criar um blog, me manda que eu quero seguir <33

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Pode comentar que eu não mordo :P

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