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Erros que cometemos, barreiras que construímos.

Mongaguá, 2017.
Às vezes a gente erra. E erra feio. Todo mundo diz que é bom, saudável até, que sempre aprendemos uma lição. Mas ninguém explica o que a gente faz pra consertar o que quebrou. Pedir desculpas ao outro quando não entendemos o erro que cometemos e o porquê de ele ter se magoado com isso parece errado. 

Sempre falamos de empatia, mas é difícil senti-la quando você mesma não se imagina na posição de outra pessoa. Justamente porque você espera nunca estar nela. Talvez você nunca tenha entendido muito bem essa coisa de sentimentos. 

Você escreve sobre eles e dá conselhos pra quem precisa. Mas quando é a sua vez, existe uma barreira. Nós reconhecemos o que construímos, mas é complicado derrubar aquilo que talvez nós precisemos usar de abrigo caso algo dê errado. 

E sempre dá errado. O certo é tão passageiro que eu mal consigo reconhecê-lo nas ruas. De qualquer cidade, em qualquer estado. O problema tá aqui dentro. E diferente dos dilemas alheios, esse eu não consigo resolver. Pelo menos não agora. Tô envolvida demais. 

Deixo pra depois e me distraio. De vez em quando transbordo. Em palavras ou em abraços do que agora são desconhecidos. Se não me reconheço, como sou capaz de definir qualquer pessoa ao meu redor?

Não defino e não julgo ninguém, mas creio que também não existo. Se "existir" é estar vivo e conhecer cada pedacinho de si, creio que não me incluo nessa definição. Me encontro presa em uma vida que talvez não faça mais sentido. Mas continuo fazendo parte dela, pois se eu abandoná-la, ao que me agarrarei?

Foto e Texto: Carol Chagas


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Comentários

  1. "Mas continuo fazendo parte dela, pois se eu abandoná-la, ao que me agarrarei?"
    O que importa? Se nada mais importa. Mas ainda temos o sentimento de querer estar vivo. É contraditório, mas é a maravilha da vida

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