Pular para o conteúdo principal

Livro: A Lista Negra

Coincidência ou não, mas mais um livro sobre Bullying veio parar no meu colo. Á primeira vista, a história de "A Lista Negra" mais parece manchete de jornal do que história de livro. Val é uma adolescente de 16 anos, que vê sua vida mudar quando seu namorado (Nick) atira em vários alunos na escola (matando muitos deles) e se suicida logo em seguida.

O estranho é que esse plot não me chocou. Acho que a sociedade está tão "acostumada" (se é que isso é possível) aos relatos de violência gratuita antes mesmo do café da manhã, que acabamos achando tudo muito normal. 

Essa normalidade faz com que a gente não queira compreender porque um ser humano tira a vida de outro ser humano. E tem nos impedido de pensar mais profundamente á respeito disso, mesmo que os casos aumentem dia após dia. 
Bom, voltando ao livro. Por mais comum que pareça o enredo, há algo de intrigante nele. Conhecemos a história de quem sobreviveu a tiroteios e de quem conhecia o atirador. A autora nos mostra que não existem pessoas totalmente boas e pessoas totalmente ruins. 

Um indivíduo pode ter sido uma pessoa maravilhosa durante toda sua vida, mas se ele faz uma coisa muito ruim durante 1 minuto, ele é classificado como vilão. Para quem não conhece as pessoas que são protagonistas de crimes e que são rotuladas pela mídia, não é difícil construir uma imagem delas. 
Mas para quem conhece, a história é completamente diferente. E é isso que acontece com a Val que, por mais que seus amigos, sua família e a mídia berrem que seu namorado era um monstro, ela sabe que ele não era assim. 
Jennifer Brown faz com que mergulhemos nesse conflito interno da protagonista. Suas lembranças do namoro e o modo como ela precisa encarar as consequências do massacre: os encontros com os sobreviventes e as testemunhas do tiroteio são simplesmente de tirar o fôlego. 

Ah, e a Valerie ainda se sente culpada por tudo. Pois as pessoas em quem Nick atirou, estavam em sua Lista Negra. Alguns anos antes, ela começou a anotar pessoas que praticavam bullying contra ela e seu namorado passou a acrescentar alguns nomes também. Sendo esta a brincadeira favorita deles. 
Mas é claro que ela nunca imaginou que ele levaria a lista a sério. Tá vendo? Nem tudo é tão simples assim. Achei incrível o modo como Val precisa se adaptar a uma situação incrivelmente traumática e ainda ter de enfrentar os efeitos da tragédia em sua família, já que muitos a veem como cúmplice de Nick.

Mais um livro que faz a gente pensar no que fazemos para o outro e em como isso o afeta. Afinal, a gente nunca sabe o que acontece do lado de dentro das pessoas. Que tal fazer o bem para receber o bem? 

Ficha Técnica
Nome: A Lista Negra
Autor: Jennifer Brown
Editora: Gutenberg
Ano: 2009
3ª Edição
Número de Páginas: 269

E aí alguém já leu A Lista Negra? Quem não leu, ficou afim de ler?

Fotos: Carol Chagas

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

disposições líquidas

as melodias conversavam comigo frequentemente. as palavras cantadas surgiam como penas que se soltam dos travesseiros: bonitas, mas sem ter como retornar a um lugar de origem. eu repassava os dias e as noites, não como quem busca sinais - ainda acho que não havia equipamento o suficiente para enxergar as rachaduras -, mas como alguém que resgata lembranças.  quando o passado era o presente, não havia tempo e disposição hábeis para reparar. pelo menos comigo, as análises sempre vieram depois do fim. do tão valioso tempo a sós, que de só tem muito pouco.  os gestos nunca passavam desapercebidos, mas as vias respiratórias também não costumam ponderar sobre a respiração. ela simplesmente acontece, até que deixa de acontecer perfeitamente. eu pensava em um mundo inteiro de significados que eu havia aprendido e agora me via sem saber onde usar.  o espaço ininterrupto entre viver uma vida funcional e conhecer o universo de outra pessoa tendem a pressionar o hipocampo ou seja lá ...

línguas oceânicas

enquanto me lembro do que eu acreditava ser um rio de duas cores, penso em como tenho me sentido desconectada. são poucas as coisas que me trazem para o presente. choros diários, viagens intensas, demandas do trabalho, tempo com os meus amigos, a escrita por vezes (como agora).  não faço ideia de qual caminho devo seguir, minhas pistas são curtas como o aeroporto de congonhas. quero comprar uma cama nova, ir à festa junina da igreja do lado de casa. os desejos vão até um certo limite.  penso no fim de semana e me imagino querendo te encontrar. faço planos mentais e crio um pequeno castelo visual, mas me desfaço da imagem logo em seguida. você está mais perto do que antes, mas ainda sinto sua falta. agora parece não haver cores como antes, tão cintilantes. é como o céu em dias nublados: claro o bastante para iluminar, difuso o suficiente para incomodar.  me vejo sentindo sozinha e ao sentir que não sou correspondida na mesma intensidade, me despeço do que sinto, um pedaço ...

Trilha Sonora: Simplesmente Acontece

Não sei se vocês perceberam, mas eu meio que amei o filme Love, Rosie (Sim, prefiro o título original). Mesmo já tendo feito um post sobre ele , não pude deixar de comentar a Trilha Sonora.  A história se passa durante muitos anos e a música evolui com ela. Nem preciso dizer que achei esse fato fantástico. Além disso, os nomes variam entre artistas famosos como Beyoncé a outros não tão conhecidos assim, mas incríveis igualmente.  Ah, tem até composição instrumental, que super combina com os momentos das cenas. Resolvi escolher as minhas favoritas e colocar aí embaixo para vocês ouvirem e amarem tanto quanto eu estou amando (:  Algumas delas você só vai gostar mesmo se assistir o filme haha (já falei como é bom lembrar de uma cena ao ouvir uma música).  Lily Allen - Littlest Things Elliott Smith - Son of Sam Lily Allen - Fuck You Kodaline - High Hopes KT Tunstall - Suddenly I See Beyoncé - Crazy in Love ...

A Verdade Sobre os Desenhos

Como qualquer criança normal, eu passei minha infância assistindo desenhos (ainda assisto haha). Só que quando a gente cresce, passa prestar mais atenção ainda neles. Outro dia, eu descobri alguns significados ocultos de um desenho que eu assistia, e resolvi pesquisar MAIS sobre outros. Veja abaixo. 7 Monstrinhos O desenho era exibido na Tv Cultura. E quem era fã mesmo, tinha até a música de abertura decorada hehe. Tudo muito lindo, mas e se eu te dissesse que ele era uma crítica contra o nazismo? Isso mesmo. De acordo com algumas teorias, os 7 monstrinhos representariam a visão dos alemães sobre os judeus.  Eles eram vistos como monstros, possuíam o nariz bem grande, e olha só que coincidência: No campo de concentração, eram identificados por Números. Um dos personagens usava um pijama listrado bem idêntico ao uniforme que os judeus que eram presos tinham que usar, e eles também moravam no sótão (local onde os judeus se escondiam).  Bob Esponja Para o ...

Momento Nostalgia: F.R.I.E.N.D.S

O Momento Nostalgia de hoje é muito importante para mim. Quem me conhece, sabe que a minha série preferida é Friends. Os 239 episódios da série estão gravados na minha memória, assim como na do resto dos fãs.  Hoje irei falar sobre as temporadas, os personagens e as músicas deste sucesso que até hoje é lembrado. Sinopse A série se passa em Nova York. E tudo começa quando, Rachel (Jennifer Aniston) abandona seu marido no altar e decide procurar sua antiga amiga do colégio Monica (Courteney Cox). O irmão de Monica, Ross (David Schiwmmer), acabou de se separar, já que descobriu que sua mulher é lésbica, e fica animado/nervoso ao rever Rachel, por quem era apaixonado.  Chandler (Matthew Perry) estudou com Ross e agora vive com Joey (Matt LeBlanc).  Phoebe (Lisa Kudrow) morou por anos na rua, já que sua mãe havia se suicidado e seu pai havia abandonado ela e sua irmã gêmea ( do mal ) Ursula (Interpretada pela mesma).  E assim é formado o grupo de seis ...

TOP 5: Bruxas do Cinema

Oi, gente. Essa semana estreou Malévola, um dos filmes mais esperados do ano, que mostra a história não contada da bruxa que envenenou Aurora (princesa de A Bela Adormecida), uma das maiores vilãs dos contos infantis. E  pelo que eu vi do trailer ,  a adaptação promete.  Isso me faz lembrar de uma coisa: da importância dos vilões. Particularmente, eles são meus personagens favoritos. Com suas mentes complexas, que rendem ótimas histórias, e que querendo ou não, se aproximam mais de nós, do que os próprios mocinhos.  Acredito que a imperfeição é mais interessante que a perfeição. Inspirada por essa onda de vilões, fiz uma lista com algumas das "vilãs" mais legais do cinema. Espero que vocês gostem MUAHAHA (Risada maquiavélica sqn hehe). Rainha Vermelha/Rainha de Copas - Alice no País das Maravilhas No filme, a Rainha Vermelha e a Rainha de Copas foram fundidas em uma só personagem. Na história, ela destrona sua irmã mais nova (Rainha Branca) e governa...

pequeno milagre subterrâneo.

Hoje teria sido um bom dia para escrever minhas páginas matinais. Infelizmente, acabei acordando e desacordando muitas vezes, o que me fez levantar tarde. Durante todo o caminho, que percorro ao longo de 3 dias da semana, fui pensando sobre como estava me desencantando com São Paulo. Estava muito cansada, com sono e comecei a pensar sobre como gostei menos da cidade nessa semana. Vim pensando nisso durante o trajeto, até que entrei na linha azul e ouvi sons diferentes aos quais eu estava acostumada. Além daquela sonoridade mecânica com propósito claro de informar em alto e bom som sobre o que acontece no metrô, havia algo mais. Uma canção conhecida tocava e em questão de segundos, ela remexia tudo que havia aqui dentro. Um tamborilar de dedos. Uma guitarra dentro do metrô. Justamente uma guitarra! Me lembrei do quanto gosto de arranhar riffs no violão, do quanto amava ver um antigo amigo em seu instrumento favorito, do único show internacional que fui e amei tanto, da maioria das músic...

nublagem momentânea.

Desde minha segunda terra natal, condicionei o milkshake de uma franquia de Minas Gerais a ser minha bebida do pensar. Aquela que quando a gente escolhe e tá sozinha, o pensamento voa. Traz o longe para perto e manda pra quilômetros tudo que está ao nosso redor. Quando voltei a morar na cidade em que cresci, vi no milkshake uma pequena ponte entre meus dois mundos. Como se o canudinho, agora de plástico, antes de papel, pudesse me teletransportar para distâncias mais distantes do que pensei ser possível e com o bônus de não me gerar as famosas dores nos joelhos que nascem das horas encolhidas no semi leito. Hoje pedi o copo pequeno de costume e por alguns minutos, voei enquanto olhava pra janela que dava pra rua principal de um dos centros da cidade. Eu já não morava mais ali, mas também não morava em outro lugar.  Os tempos andavam confusos. Minhas vontades misturadas. A insegurança batendo mais forte em portas que se abriam com uma maior frequência do que eu gostaria. O clima nub...