segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Palavras de um Passado Bom

Hoje não é nenhuma data especial. Não é seu aniversário ou qualquer coisa parecida. É só mais um dia em que estou sentindo sua falta. Outro dia, passei pela rua que nós costumávamos andar juntas. Aquele mesmo trajeto que fizemos por anos. Da escola, para sua casa (onde você fazia o almoço. Ai que saudade do seu feijão <3) e depois para minha.

Estava fazendo as contas, foram muitos anos. Não só desse caminho, mas de outros também. Confesso que evito as esquinas que mais me lembram você. Trazem tantas memórias, que eu tenho medo de chorar do nada. É mais fácil não pensar nisso. 

Só que toda ação tem um preço. Outro dia, quase fiquei desesperada por não conseguir me lembrar da sua voz. Será que algum dia eu vou esquecer? Espero que não. Quero que cada detalhe seu fique bem perto de mim e não escape para lugar nenhum. 

Talvez eu nunca supere. Ou talvez tenha superado e esta seja uma recaída. É que ultimamente as coisas têm ficado mais difíceis (ninguém nunca disse que seria fácil, né?) e eu tenho medo de não aguentar. De o tempo passar e eu ficar aqui, perdida nessas ruas sem saber o que fazer. Olhando para os lados e esperando algo cair dos céus. 

Mas nós sabemos que não será assim, que ainda tem muita coisa pra acontecer. Que eu ainda vou quebrar a cara muitas vezes até chegar aonde eu quero. Ou talvez eu nunca chegue, pode ser que esta seja a razão para que a Terra continue girando. 

Sinto falta da segurança da sua casa, do colo de vó que só você era capaz de dar. É besteira eu chorar por isso, mas eu estou fraca no momento e, não tem ninguém aqui me oferecendo um ombro amigo. 

Cada vez mais eu descubro que herdei muitas coisas de você, mas você não está aqui para ver nada disso. Mas eu estou bem, porque eu tive muita sorte. Tive alguém como você pra chamar de mãe, avó, amiga. Só sinto por não ter te abraçado tanto, sabe? Poderia ter feito isso mais vezes, mas não fiz. Bom, tudo é experiência, espero que eu tenha aprendido algo com isso. 

Eu não sei onde você está (afinal, quem é que sabe?), mas sei que 17 anos da minha vida foram totalmente preenchidos com muito amor, e isso a gente não esquece. Não vou mais mudar meu caminho para evitar as lembranças, já que elas de algum jeito sempre irão me alcançar. 

Mesmo que doa ou que dê uma certa nostalgia, faz parte da minha história e eu não tenho como fugir dela. Muito menos fingir que você nunca existiu, isso seria completamente errado. Prefiro me agarrar a esperança de que algum dia, a gente vai se encontrar. Nessa ou em outra vida. Afinal, quando a gente ama alguém, esse sentimento não se perde, ele se transforma. 

Texto: Carol Chagas
Foto: We Heart It 

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