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Verdades Adaptadas

Palavras gravadas no muro. Luzes acesas na cidade. Carro em movimento. Minha cara colada no vidro, espiando o mundo lá fora. Tentando absorver todos os detalhes. Das pessoas e dos lugares. 

Sinto cheiro de chuva (quem dera né?), mas descubro que tudo é fruto da minha - pobre - imaginação. Faço isso de vez em quando. Imagino o que não dá certo na vida real. E o tempo vai passando, fingindo que nem liga para minha existência, sentindo a chuva ou não. 

Cruzo mais uma rua. Procuro a lua em vão, ela deve ter pedido licença enquanto eu não estava olhando. Sinto a brisa novamente, mas desta vez é o verão batendo na minha porta. Será que ele será doce como a Primavera ou desagradável como o Inverno? 

Encontro a lua. Que mais parece um rabisco fosco de luz aos meus olhos desgarrados dos óculos. MEU ÓCULOS. O mar se encontra em equilíbrio com o tempo. E este é preenchido pelo barulho das pessoas. 

Estas estão agrupadas aos montes em mesas de bar. Conversando, se divertindo, criando memórias. O vento escapa da fresta da janela e me atinge. O farol abre. Penso em como algumas coisas mudam e outras, nem tanto assim. 

Ainda não me acostumei com essa nova realidade. Estou me adaptando aos poucos. Tenho quase certeza que quando conseguir por completo, as coisas já terão mudado novamente. É sempre assim, eu correndo atrás do que já passou. Já me acostumei a estar fora do ritmo.

Devo ter nascido com algum tipo de delay natural. Dizem que ele melhora com o tempo. Quem sabe, né? Presto atenção na competição imaginária entre o carro em que estou e o do lado. Ganhamos! Por uma quadra. Sinal fecha. Fim da linha, game over ou qualquer outro tipo de the end utilizado. 

A lua se esconde. O vento sopra sob um novo farol. Já está na hora de viver, de enfrentar o delay. A dançar conforme a minha música, a criar o meu próprio ritmo. Quem sabe assim eu não corro na direção oposta, só pra evitar uma competição imaginária? Entre mim e o carro do lado. 

Texto: Carol Chagas
Foto: We Heart It 

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