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Saí pra dar uma volta (dentro de mim).

Julho, 2018.

Á direita, uma placa grita "SILÊNCIO". 
Olho ao meu redor e não vejo um ser que possa quebrar esse pedido/ordem.

A biblioteca está vazia. E apesar do frio, ela parece convidativa.

~ como todos os lugares em que tenho estado ~

Ruas que não são muito frequentadas, lugares fora do horário de pico, a árvore mais esquecida de um parque qualquer parecem ser um universo de oportunidades.

Espaços vazios têm me preenchido. Acho que é porque quando não tem ninguém por perto, eu consigo apenas ser. Sem muita pretensão. Apenas me deixo levar.

Eu sempre gostei muito de ficar sozinha, mas costumava fazer isso entre quatro paredes. Como se fosse algum tipo de absurdo sair, viver, conhecer o mundo sozinha. De uns tempos pra cá, isso mudou.

Estar só deixou de ser um plano b, mas por vezes, passou a ser a melhor opção. Experimentar um lugar só com a tua bagagem, repertório e vivência é meio que libertador. É entender a vida como um processo nosso, que não pede companhia em todos os momentos.

É não precisar aparar arestas para o bem de alguém, além de nós mesmos. 
É relaxar bem o corpo e se permitir ser do tamanho que se é. Sem se apertar pra caber numa gaveta ou se colocar em posições desconfortáveis a fim de encaixe. 

Me permito ser aérea, profunda e insensível. Por vezes, reflito se gosto de quem eu sou. Na maioria das vezes, a resposta é positiva. E quando não é, eu me questiono o porquê. Nem sempre encontro respostas. 

Às vezes me pergunto se eu romantizo a solidão. Como tenho um histórico de extremos, é natural que eu ache que a balança está sempre pendendo demais para um lado. Mas cada vez mais tenho visto isso como minha forma de me descobrir. Eu mergulho nas coisas e ao invés de tentar evitar/jurar que eu não tô fazendo isso, não/fingir que gosto de ser superficial - quando na verdade isso mata a minha essência - eu tô assumindo que eu mergulho mesmo.

É como eu percebo o mundo. Andar pelas ruas e não entrar em nenhuma das inúmeras casas é como me pedir pra não ver (mesmo que só na imaginação). E que delícia que é enxergar.

Chego a ficar arrepiada quando respiro
e sinto vida
não em uma pessoa
ou num lugar,
mas dentro de mim. 
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Foto e texto: Carol Chagas

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