domingo, 1 de maio de 2016

Fui tentar ser independente logo ali, mas já volto.

Independência dói. Como a dor do primeiro amor não correspondido ou da primeira não aprovação no vestibular. É uma daquelas dores que você sabe que não tem como fugir, mas mesmo assim, a frustração e as lágrimas por detrás dela continuam caindo. 

A tua cabeça entende que o amadurecimento faz parte da vida, mas o coração insiste em doer: de saudade, de frustração e impotência. Se acostumar a viver em um lugar diferente é mais difícil do que a gente imagina. 

As primeiras semanas são um paraíso. Você conhece gente nova, descobre as belezas do lugar novo. E confesso que essa parte é maravilhosa. É incrível, na verdade. A tua alma acredita que o seu corpo está viajando e faz questão de te deixar bem á vontade para que você aproveite tudo ao máximo. 

Mas assim que as novidades param de aparecer, surge a pretensão de que você já conhece tudo e todos. Esse sentimento mata. Mata, porque ele te faz refletir. E é aí que a ficha cai: você está sozinha. 

Se distanciar de tudo e de todos é ótimo, mas não ter nada familiar por perto quando algo dá errado é difícil. Não me leve a mal, não sou ingrata nem nada do tipo. Morar sozinha em outra cidade tem suas vantagens. 

Ter a oportunidade de ser alguém diferente de quem você foi a vida inteira é uma chance para poucos. Viver em um novo lugar e se descobrir é algo fantástico. Mas é uma daquelas fases, sabe? 

Em que você se questiona se gosta de quem é no momento ou se não faz a menor ideia de quem quer se tornar. Essas mini crises existenciais fazem com que a gente tenha vontade de chorar em posição fetal no meio da rua, mas confesso que elas me fazem um bem danado. 

Eu posso não saber quem eu sou ou quem quero ser. Posso nem ter a mínima ideia se mudar de cidade foi uma boa escolha ou se ficar lá em casa no meu cantinho era o mais certo. De verdade, eu não tenho certeza sobre nenhuma dessas coisas. 

Mas eu sei que eu não me satisfaço em apenas viver. Acordar, estudar, comer, sair com os amigos e dormir. Nada disso me torna plena como ser humano. Mas analisar cada cantinho do que eu vivo me completa. 

Escrever sobre o que acontece comigo me torna mais felizinha e eu confesso que cansei de fugir disso. A vida estando incrível ou péssima, eu preciso extrair essas palavras que se acumulam dentro de mim. 

Nenhum amigo, brigadeiro ou parente conseguem suprir essa falta que faz quando eu não me expresso. Então, é isso. Eu tô de volta ~ mais uma vez ~ (já cansei de dizer isso por aqui, mas não consigo evitar). 

Em outra cidade, com outra paisagem na janela, mas com a mesma cara de bolinha ao publicar um textão no blog de sempre. O "Fases de Alice" voltou. Mesma Alice, outra fase.  

Texto: Carol Chagas
Foto: We Heart It  

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