quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Ares do Inverno

Tá tudo vazio. O quarto, a sala, até  mesmo o plano de fundo do computador. Os pedaços do espelho quebrado já foram para o lixo, as roupas velhas já foram doadas. Cada um já está no seu lugar. Seja na sua gaveta predileta da cômoda ou numa cidade pequena esquecida em um estado diferente do seu.

Pode parecer estranho, mas depois de um tempo, você percebe que nada pertence a ninguém. Objetos, sentimentos e pessoas. A gente costuma analisá-los como se fossem todos sólidos e palpáveis, mas o que não sabemos é que todos são feitos de Ar. E ninguém é capaz de segurá-lo, contê-lo ou guardá-lo.

Ele tem vida e vontade própria, apesar do que você acha que sabe. Não adianta mergulhar de cabeça na ideia de que as coisas são estáveis e obedecem a uma ordem. Isso não existe. A psicologia pode até tentar, mas não existe uma lógica verdadeira que explique o que há dentro de cada um.

Podemos andar pelas ruas, observar o mar e achar que podemos controlar o universo ou ainda fingirmos que somos os donos do mundo. Mas a verdade é que não possuímos poder nem mesmo sobre nós mesmos.

Nos vemos maduros, imaturos, loucos, tranquilos em um curto intervalo de tempo. Vivemos em meio a tantas características opostas que nos combinamos como um elemento químico pronto para ser descoberto, transformado e destruído.

Acho que no fim, a gente se acostuma. Com o coração cheio, vazio, bagunçado. Aprendemos aos poucos, uma lição de cada vez, a cuidarmos. Não do que é nosso (pois nada é), mas do que está ao nosso redor. 

Esse é o melhor aprendizado que podemos levar e o melhor é que ninguém pode tirá-lo de nós. Talvez o conhecimento não seja como o ar, que escapa pelos dedos, mas sim como a água, que fica retida nas superfícies do nosso corpo. 

Foto: We Heart It
Texto: Carol Chagas

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