domingo, 31 de maio de 2015

Mais Perdidos que Achados

Maio foi estranho. Não fiz o que estou acostumada a fazer e fiz o que achei que nunca faria. Eu esperava seguir meu plano. O lance de me encontrar já era dado como certo, mas lá na frente. Por algum motivo, fui pega de surpresa. 

O meu subconsciente decidiu que todas as minhas dúvidas seriam resolvidas agora e que eu precisava parar, nem que fosse por alguns dias, para pensar. Até mesmo meu corpo gritou para que eu ficasse bem quietinha. 

O problema é que eu não lido muito bem com esse lance de relaxar. É como quando você tenta tirar uma foto com o zoom no máximo. Por mais que você se concentre em não mexer um único músculo do seu corpo, sempre tem aquele espasmo involuntário que estraga tudo. 

E você perde de vista aquilo que queria fotografar. Mas sabe que, por mais que tenha perdido, ainda é possível tentar. Ainda dá para encontrar aquela meia lua incrível desse céu de outono. 

Talvez este mês tenha sido destinado a me perder. De mim mesma, dos outros e até mesmo do que eu mais amo fazer. E conforme ele vem chegando ao fim, digamos que eu esteja encontrando vestígios de mim pelas ruas. Partes novas e velhas. 

É como algum tipo de ciclo sofrido chegando ao fim. E eu amo/odeio finais. Odeio, porque eles representam o momento em que as mudanças inevitáveis acontecem. E também os amo, pois sei que eles trazem inícios. E eles são os melhores. Onde tudo é novo. Incluindo nós mesmos. 

Enquanto isso, eu espero. Ouvindo música, é claro. Várias batidas que me levam pra longe e pra perto ao mesmo tempo. É como aquelas distopias, que por mais que pareçam apenas ficção, estão muito próximas da realidade. 

Uma nota. Uma rima. Aquele cheiro conhecido da madeira do violão. Breve encontro entre quem eu era e quem sou agora. Ah é, esqueci que ainda não me encontrei. E tenho certeza de que quando o fizer, mudarei de novo. 

Gosto de viver assim. Sempre correndo atrás dos trens, carros, ônibus que andam mais rápido do que eu. Talvez eu esteja atrasada ou eles adiantados. Quem é quem sabe, né? Espero descobrir logo. Talvez em Junho. 

Texto: Carol Chagas
Foto: We Heart It

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