domingo, 27 de agosto de 2017

Quando a gente (finalmente) entende que precisa ficar sozinho.

Eu tô com uma coleção de palavras guardadas dentro de mim. E elas são sobre os mais variados assuntos: vida, amor, falta de autoconhecimento e confusão. 

Sempre fui o tipo de pessoa que pensava muito antes de agir (e acabava não agindo, no final das contas). Autopreservação era o meu estilo de vida favorito. Mas em algum momento, conheci o gatilho da impulsividade e ele parece ter vindo pra ficar. Pelo menos, tá comigo até agora. 

Não vou mentir, ele me fez viver. Fez com que eu me arriscasse e sentisse aquela adrenalina boa que dá quando a gente faz algo que tem vontade. Em meio a tanto medo, a simplicidade desse impulso todo me libertou. Não completamente, mas uma parte de mim é mais livre do que era há um ano atrás. 

Só que essa impulsividade é um grande paradoxo. Ela abre as portas e as janelas da tua casa pro mundo e isso faz com que você conheça o novo. Mas por te apresentar a muitas coisas, também traz caos. Do tipo que te confunde e bagunça tudo que já existia de estabelecido. E por estar confusa, você acaba tropeçando em todo mundo. É o clássico efeito dominó: você cai e quer levar todo mundo junto contigo. 

Esse gatilho maravilhoso da impulsividade é útil, mas só quando estamos de bem com a vida. Quando algo está errado, ele se torna um gatilho pra fazer merda. Existem alguns momentos que são só nossos, de mais ninguém. E a gente precisa entender que ficar sozinho, às vezes, é a melhor coisa que podemos fazer por nós mesmos (e pelos outros também).

A liberdade de ir lá fora é tão importante quanto a de ficar aqui dentro. Se permitir sentir o que quer que o seu coração queira sentir é ser legal consigo mesmo. É saber dar espaço pra você se curar, se encontrar, pra depois seguir o tal do baile. 

Se perder nas noites é divertido, mas quando não estamos bem, só faz com que a gente se perca mais de quem somos, vai por mim. E eu tô afim de me encontrar, mesmo que seja dentro de uma panela de brigadeiro com uma série de 13 temporadas de fundo.    

Foto e texto: Carol Chagas

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Derr(amado).

Sou do tipo que sofre calada e tem dificuldade pra chorar. Alguns amigos até oferecem o ombro e os ouvidos, mas na maioria das vezes, eu me sinto mal em usá-los. Não tem jeito, eu só transbordo quando escrevo. São nesses momentos em que eu peço ajuda pra única pessoa que me deve atenção: eu mesma

Eu sinto, me reviro do avesso e esfrego na minha cara o que o consciente insiste em tentar esconder de mim. É como se cada palavra agora escrita pudesse preencher os buracos de bala perdida que a alma insiste em carregar. Não sou poeta, nem escritora, apenas sinto. E não é pouco. 

Meus sentimentos são como vinho quando derrubado em um tapete. A mancha só aumenta e não tem muito o que fazer. Quanto mais você tenta limpá-la, maior ela se torna. E acredito que por mais que o tapete volte a cor original, ele nunca mais será o mesmo. A mancha pode até sair, mas você sabe onde e em qual intensidade ela já esteve. 

Pode ser que ninguém perceba e que você consiga lidar com isso. Mas pode ser que isso te afete. E você não queira mais tomar vinho. Mesmo que o sabor e o efeito sejam incríveis, talvez você se prenda ao fato de que às vezes o copo cai ou alguém o derruba. 

E uma vez derramado, consertar tudo torna-se difícil. Os cacos são fáceis de juntar, mas o vinho é mais complexo. É como se você se questionasse o porquê de ele ter caído, mas também quisesse saber como transformar o seu tapete no que ele era antes. 

Às vezes escolhemos ser inundados pela maior quantidade de vinhos possível, mas não é a mesma coisa. O sabor não é mesmo. É como se a gente não sentisse nada. E o vazio é estranho para quem tinha seus espaços preenchidos todos os dias. 

Eu sei que vai passar e a maioria dos dias são felizes. Mas quando uma noite é exceção, me sinto como uma alcoólatra prestes a tomar um porre. E é por bem pouco que eu não boto tudo a perder. 

O tapete já está limpo e eu tô cuidando muito bem da minha adega antes de comprar qualquer vinho que mereça estar nela. Mas isso não impede que a sede me atrapalhe no caminho.

Texto: Carol Chagas
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