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Senhora Praia Grande.

Os escritores que me perdoem, mas nunca fui dessas que enaltece a terra natal. Pelo menos não até sair dela.
Praia Grande é lugar onde as pessoas se criam dentro de prédios e não vão na praia na frequência que creem os de fora. Usa-se chinelo com qualquer roupa do armário e se sente bem arrumado. Vemos o mar ser só nosso e de uns poucos de abril a novembro e nos sentimos invadido de dezembro a março. 
É fazer amigos de fora e esperá-los nos fins de semana e feriados prolongados. É descobrir no verão ter mais parentes do que você fazia ideia.É ter melhores amigos por anos e não saber de cor o nome dos pais ou a cor da parede de seus quartos. É pegar conchinhas e sentir culpa logo em seguida - por prejudicar o meio ambiente conscientemente - ao se ouvir "essa branquinha é a última" mais uma vez.
É andar no calçadão com suas pessoas favoritas ou até mesmo sozinha. É marcar um sorvetinho com um amigo e esse ser o melhor reencontro.
Desanimamos com a garoa, colocamos casaco fazendo v…
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Esse novo eu vai chegar.

Maracujá me acalma, me deixa pensativa e sonolenta. Assim como as férias e a casa de meus pais. É como se eu relaxasse os ombros e esquecesse os redemoinhos que de vez em quando esbarram na gente. 
Também me sinto um tanto quanto invencível, como uma criança que termina de brincar lá fora e volta pra dentro pra comer pão com presunto e ver tv. Não sinto medo nem das tormentas lá fora. 
Mas às vezes faço morada em uma zona de conforto, confesso. Evito viver lá fora quando não tô no mar. A troca salina é silenciosa e abraça a gente como quem quer levar pra dentro. A água nos testa. Se vamos ficar de pé, mesmo que ela se quebre em nós como quem não quer nada. Ela quer ver se vamos continuar.

Não tenho me sentido eu mesma ultimamente. Acho que é uma daquelas semanas em que a gente percebe que tá mudando e não tem muito o que fazer a não ser esperar. Não tenho um discurso inflamado pra brandar aos ventos ou uma história interessante pra contar aos amigos. Dessa vez, não é um drama. É inevitáv…

9 Conselhos para 2019.

Cara eu do futuro,
1. Leve seus sonhos a sério. Os que você encontra quando foge desse plano e os que te tiram o sono de vez em quando. Você não precisa de um grande gesto ou de uma mudança radical pra começar. A constância, das suas ações, é muito mais importante do que a rapidez dos seus resultados. A evolução mora na disciplina e espero que você tenha feito morada nela também.
2. Não volte para a mesma pessoa, para o mesmo lugar ou para qualquer coisa esperando o mesmo sentimento. Não será igual. Então, não espere nada. E se possível, não volte. Rever é bom, mas você e eu sabemos que nós não sabemos lidar muito bem com revivals.
3. Abrace os seus fins. Os sinta e se emocione com cada um deles. Mas não se apegue á dor do que não mais será. Parece clichê, mas tente lembrar do começo que mora logo ao lado.
4. Você precisa ficar sozinha. Não sempre. Mas numa frequência considerável, dependendo do seu contexto. Você se sente bem quando o faz e se reconhece como gente. Também não fique muito…

Crazy Ex-Girlfriend e os conflitos que moram dentro da gente.

Um influencer indicou. Não botei muita fé. Passei por um negócio dolorido e estranho. Ao me ouvir, um amigo meu me recomendou. E eu fui lá pagar pra ver. Aconteceu. Todos estavam certos.
Crazy Ex-Girlfriend é uma comédia musical com um bando de referência (calma, são só duas músicas por episódio - e todas são originais e muito engraçadas, juro! - ) de 40 minutos. Irônica, politicamente incorreta, completamente atrevida (OBRIGADA) ao abordar os mais variados tabus da nossa sociedade, ela é criada por Aline Brosh e Rachel Bloom.  Rebecca Bunch (Rachel Bloom) é uma advogada de muito sucesso em Nova Iorque, mas completamente infeliz. Até que num dia, ela encontra seu primeiro namoradinho da adolescência. Ele diz estar voltando para West Covina (sua cidade natal), pois lá ele era muito mais feliz. E então, Rebecca também decide se mudar para a cidade. 
Á princípio (durante a primeira a temporada), você vê a Rebecca como o estereótipo de Ex-namorada louca. Mas com o passar das temporadas, a ge…

Para todos os medos do mundo.

Aos quinze, altura era um de meus maiores medos. Só de encostar na sacada da minha casa na época, eu sentia náuseas. Eu pensava na queda. Na possibilidade de me desequilibrar. Que tolice seria morrer por descuido, pelo acaso, eu pensava. O hipotético momento de descontrole me deixava aterrorizada. 
Eis que num dia ensolarado, me vi ocupando um lugar numa montanha-russa. Passei cinco horas na fila e, tinha sido incrível. Meus amigos e eu nos divertimos tanto que, não havia sobrado espaço para o medo crescer. Quando vi, já estava sentada. As travas - que não eram lá muito seguras, para meu desespero - já haviam abaixado, quando perguntei para meu amigo "ainda dá pra desistir?". Ao que ele nem precisou responder, já que o brinquedo começou a andar.
Os primeiros 30 segundos foram os piores da minha vida. Uma subida lenta e dolorosa. Eu desmoronava de dentro pra fora ao pensar na descida. Não conseguia não deixar meus olhos abertos. Lá do alto, vi uma multidão na fila ansiosa pelo …

E quando voltar vira costume?

Sou viciada em comer brigadeiro de panela nos dias tristes, desarrumar meu guarda-roupa nas manhãs corridas e participar de relacionamentos iô-iô quando tenho chance. Eu já fazia ideia da existência dos dois primeiros, mas o terceiro foi descoberto há pouco tempo. 
Eu acreditava que a culpa era das pessoas com quem eu me relacionava, mas só porque alguém bate na sua porta, não quer dizer que você precise atendê-la. Depois de algumas sessões na terapia, descobri um padrão emocional não-saudável existente nas minhas relações.  
Nos últimos 3 anos, tenho brincado de batata quente com todas as pessoas por quem me interesso. Elas somem e voltam, assim como eu. Existe uma fenda no tempo em que as coisas "dão certo", mas logo depois, bate um cansaço. Enjoo. Preguiça até. É como se tudo estivesse garantido. Confortável. Seguro demais.
Depois de um tempo, alguém sempre termina. E é aí que chega a liberdade. Eu me sinto solta. Desamarrada no universo e pronta pra conquistar tudo aquilo q…

Coisas que aprendi fazendo trilha sozinha.

Em 2018, me propus a fazer tudo que eu tinha vontade - principalmente sozinha. Aprendi a me escutar um pouquinho mais. E a não depender tanto do desejo do outro, mas mais do que eu carregava aqui dentro.
E em uma dessas andanças, há uns meses atrás, fiz minha primeira trilha sozinha. Fui com um grupo, mas eu não conhecia nenhuma daquelas pessoas. E confesso que, pela primeira vez, eu não estava procurando uma conversa descabida sobre a vida com um estranho. 
Eu queria caminhar dentro de mim mesma. Queria fazer dessa experiência uma coisa só minha. Única e singular. Enquanto andava e divagava a respeito do mundo e de tantas outras coisas, pensei nesse post. Em coisas que eu aprendia enquanto a trilha se dava.   


Você vai se conectar
Fui caminhar com a maior vontade do mundo de ficar em silêncio. E achei que, por isso, eu não me conectaria com nada, nem ninguém. O que obviamente não aconteceu. 

Acho que quando você está sozinho, você se permite mais em deixar as experiências acontecerem. Que…