sábado, 16 de junho de 2018

A vida é uma só.

Abril, 2018.

É como se muitas coisas estivessem passando pela minha cabeça agora. Minhas têmporas estão vermelhas de ansiedade. E as mãos suam frio. É como se todo o calor estivesse concentrado em apenas um lugar. Totalmente desequilibrado. 

Longe de mim, tentar ajustar isso tudo. Longe de mim, tentar. A gente sempre busca o equilíbrio. Porque é o estável. E é aquilo que faz bem pra gente. Os equilibristas que me desculpem, mas eu amo o desequilíbrio. É ali. Bem no meio dele que a gente cresce. E conseguimos a chance de olharmos pra dentro de nós mesmos. 

O caos só é ruim pra quem não consegue lidar com ele. Mas no fundo, somos todos pra lá de capazes. Às vezes leva tempo, mas mergulhar em cada pedaço nosso, olhar bem de perto e não nos assustarmos com o que vemos é uma espécie de encontro. 

Porque é tudo nosso. 

Somos tudo aquilo que queremos e deixamos de ser. É uma mistura. Não existe uma única cor. Uma linha do tempo que define o antigo do novo. De certa forma, é como se passado, futuro e presente fossem uma coisa só. É como se olhar pra sua rua atual te trouxesse pro primeiro momento em que você a encontrou. E para as infinitas vezes depois disso, que você passou por ela. 

É como se a vida fosse uma série, e o teu momento fosse o famoso episódio de flashbacks das cenas mais impactantes. Você apenas entra em si mesmo e, como em inception, leva um tempo pra você sair totalmente. 

Costumo pensar que nossas emoções são como obras valiosas de algum museu contemporâneo. De tempos em tempos, elas precisam ser revisitadas, passar por uma curadoria e reabrir para visitação externa. 

É um processo natural que a gente tenta evitar, mas que no final, faz um bem danado. 

Nosso corpo e nossa alma são um templo. E sempre que possível, devem ser cultivados mais de perto. 

Regados com amor. E perdão.  

Para que possamos: nascer, florescer e morrer

E após o fim deste ciclo, começarmos tudo de novo.

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Foto e texto: Carol Chagas

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Sobre desprender-se de tudo (e não ter ideia do que fazer em seguida)

Março, 2015.
Este não é o momento em que mais me sinto sozinha na vida. Mas é uma das fases, com certeza. O tipo de fase que faz com que você se sinta, mesmo que por vezes acompanhada, desconectada do mundo. Como aquele cabo perdido na gaveta do quarto. Você não sabe quando ele surgiu, nem pra que serve. 

Me sinto à deriva. E acho que só agora parei pra dar a devida atenção. Às vezes, a gente desce na estação errada, esquece o carregador em casa e corresponde (por engano) o aceno de um estranho - que não era exatamente pra você. 

E se sentir assim não é necessariamente ruim. Eu diria que é desconfortável. Mas o desconforto não é um mal tão grande nessa vida. 

É apenas um momento. Passageiro, como tantos outros. Em que a gente se sente fora do nosso lugar de fala. Em que nos esquecemos do personagem que criamos. Do que gostamos, do que costumamos dizer, do que odiamos. 

É um desvio. Que não atrasa, mas também não adianta a nossa vida. É um momento pra colocar tudo em perspectiva. Alinhar o que vive lá fora com o que existe aqui dentro. 

É se sentir uma folha em branco e ser jogada ao vento. E não saber pra onde ele vai te levar ou se você tem alguma preferência por qualquer direção. 

É voltar. Para lugares e pessoas. E não sentir mais a mesma coisa. É perder o familiar. É não pertencer. Nem a nada, nem ninguém. Nem a nós mesmos.

É se perder, sem saber se vamos nos encontrar de novo.

É desprender-se por completo, 
mesmo que essa não fosse, 
no início,
a intenção. 
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Foto e texto: Carol Chagas

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