sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A arte de ficar bem.

De vez em quando a gente corre. Pra bem longe. É como se fosse algum tipo de impulso que surge aqui de dentro. Apenas sentimos que precisamos fugir. E assim o fazemos. Sem nem dar uma olhadinha pra trás. A gente respira e corre.

Só que depois de um tempo, bate o cansaço. E os gritos do corpo se tornam mais altos que os da alma. Já nem é mais possível ver a tempestade de quilômetros atrás. Sobra a calmaria e o silêncio. E pela primeira vez em meses, tudo faz sentido.

Os erros, os sentimentos e tudo aquilo que transbordou. O asfalto gelado contrasta com o calor do passado. É uma mistura de limbo com equilíbrio. Como quando a gente tenta boiar na água e de vez em quando, acaba afundando. É uma luta constante. 

Depois de algum tempo tentando não sentir, chega uma hora que a gente consegue. Lembrar deixa de doer. E conversar com sua ferida não te machuca mais. Por mais estranho que pareça, está tudo bem. Mesmo que você tenha pensado que aquilo nunca ia passar.

Você sente quando o ar está seco e volta a enxergar a quantidade de flores existentes na praça por onde você passa todos os dias. Aqueles seus sonhos antigos te encontram e te incomoda a ideia de viver mais um dia sem tentar torná-los mais próximos da realidade.

Depois de tanto correr em linha reta, a gente acaba parando. Ficamos um tanto quanto entorpecidos. E isso é estranho. Mas uma estranheza boa. Do tipo que traz aquele sentimento louco de descoberta. 

Passamos a nos perceber mais. E cai a ficha de que o mundo é muito grande e a nossa função é nos conectarmos com cada pedacinho de energia que encontrarmos por aí. A gente passa a buscar quem queremos ser e isso tudo se torna tão interessante quanto conhecer alguém.

Esse efeito Stand by faz com que a gente fique indisponível para qualquer um que queira roubar a atenção que nós estamos nos dando agora. 

A gente corre e foge, mas uma hora descobrimos que precisamos parar.

Eu parei.

Demorou, deu trabalho, mas finalmente estou onde eu queria e deveria estar.

Foto e Texto: Carol Chagas

domingo, 29 de outubro de 2017

John Mayer e o amor pela vida.

Aos 15, esbarrei numa música de John Mayer. E odiei. De verdade. E o problema não era com a música ou com o próprio John, mas comigo. Eu não estava pronta. Pra ouvir e me identificar com a quantidade de carga emocional presente em suas canções. Mesmo hoje, aos 20, sinto que não estou. 

Não conheço todas as músicas dele. E confesso que me orgulho disso. Sinto que cada uma delas deve me encontrar, não o contrário. É como se a cada situação que eu passo, uma música existente dele sobre isso me encontrasse. Por meio de um amigo, um link ou o modo aleatório do Spotify. 

Quem me conhece, sabe que eu não tenho ídolos musicais. Gosto de música, não de artistas. Sou eclética e gosto razoavelmente de tudo. Por ser deste jeitinho, nunca me imaginei indo a um show. Simplesmente porque eu não conheceria todas as músicas e ficaria perdida na maior parte do tempo ali. 

Mas com o John é diferente. Eu não sei de cor a maioria de suas músicas, quiçá um álbum inteiro. E eu nem precisaria saber. Eu poderia ir ao show do John sem nem conhecer seu sobrenome. A única coisa que eu precisava fazer e o fiz foi levar meu coração e meus ouvidos e deixá-los bem abertos para sentir.

O arrepio que um solo bem dado de uma guitarra dá na gente. E o amor que a galera que tocava sentia ao chegar ao ápice de uma canção. Acho que essa é a beleza da música. Por alguns minutos, nada importava. 

Ouvir uma galera que você não conhece pedindo aos gritos uma música que é tão importante pra você faz com que a gente se sinta abraçado. Avistar o pôr-do-sol no final de um dia cheio de sinais para você não estar ali é como aquele sol que nasce depois de dias de tempestade. Ver tanta gente estranha cantando uma mesma música é um jeitinho da vida de dizer que ela é tão rara e acontece justamente enquanto estamos vivendo. 

O John escreve sobre o tempo, o amor e a inconsistência das coisas. Ele é um contador de histórias. Boas ou ruins, não importa muito, mas todas são sobre a vida. Sobre pessoas que amam, têm dúvidas, se machucam e crescem.

E é isso que eu admiro tanto nele. O fato de ele conseguir contar tudo isso de uma forma tão bonita e humana. Me faz lembrar que somos todos iguais, afinal das contas.

Se tem uma coisa que eu sinto é gratidão.

Sou grata por suas músicas terem me encontrado. E por ter me perdido e me encontrado tantas vezes ao ouvi-lo

Entre muitos altos e baixos, o amor pela vida cresce. Essa é a única constante da qual eu preciso.

Foto/Texto: Carol Chagas


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