segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Para todos os medos do mundo.

Abril, 2018.
Aos quinze, altura era um de meus maiores medos. Só de encostar na sacada da minha casa na época, eu sentia náuseas. Eu pensava na queda. Na possibilidade de me desequilibrar. Que tolice seria morrer por descuido, pelo acaso, eu pensava. O hipotético momento de descontrole me deixava aterrorizada. 

Eis que num dia ensolarado, me vi ocupando um lugar numa montanha-russa. Passei cinco horas na fila e, tinha sido incrível. Meus amigos e eu nos divertimos tanto que, não havia sobrado espaço para o medo crescer. Quando vi, já estava sentada. As travas - que não eram lá muito seguras, para meu desespero - já haviam abaixado, quando perguntei para meu amigo "ainda dá pra desistir?". Ao que ele nem precisou responder, já que o brinquedo começou a andar.

Os primeiros 30 segundos foram os piores da minha vida. Uma subida lenta e dolorosa. Eu desmoronava de dentro pra fora ao pensar na descida. Não conseguia não deixar meus olhos abertos. Lá do alto, vi uma multidão na fila ansiosa pelo momento em que me encontrava. E eu só conseguia pensar em como trocaria de lugar com qualquer um deles.

O brinquedo parou. Talvez houvesse algum problema. Todos teriam que evacuar por segurança. E esta seria minha chance de ir comprar um refri e nunca mais voltar. Mas na verdade, a subida havia acabado. 

Despencamos.

Não me lembro de gritar. De fechar os olhos. De sorrir. Acho que durante aquele um minuto e meio, eu fiquei em estado de choque. Sendo jogada de um lado pro outro, sem um pingo de emoção na minha face. 

Quando identifiquei uma espécie de padrão nos movimentos do brinquedo, me acostumei. Só esperei pelo fim. 

Chegamos. Travas para cima. Levantamos.

Minhas pernas estavam energizadas. Fracas. Eu sentia choque nelas como acontece quando a gente se apoia sobre uma parte do corpo por muito tempo. Parece que aquele órgão é de outra pessoa. E por alguns segundos, ele deixa de ser nosso.

Nesta época da vida, eu não era muito exposta a novas experiências. O que faz com que esta seja uma de minhas memórias mais marcantes. Naquele momento, eu me sentia tão leve. Era como se o mundo flutuasse comigo. Costumo dizer que nesse dia, perdi minha alma. Mas na verdade, pela primeira vez, fui além do medo.

Não sou uma moça de coragens. Mais corro, do que encaro. Fujo do frio na barriga até onde der. E na maioria das vezes, não dá certo. No fim, talvez a gente não precise ser destemido a vida toda. Mas precisemos ser impulso por uns dez segundos. 

O medo sempre vai ser do tamanho que nós criamos pra ele.

Talvez ele nos paralise. Nos diminua. E seja uma verdadeira barreira viva para o que no fundo, a gente realmente quer. E tá tudo bem.

A gente só precisa do impulso. Do um minuto e meio depois disso, a gente dá conta.
--------------------------------------------------------------





Foto e texto: Carol Chagas

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

E quando voltar vira costume?

Janeiro, 2018.
Sou viciada em comer brigadeiro de panela nos dias tristes, desarrumar meu guarda-roupa nas manhãs corridas e participar de relacionamentos iô-iô quando tenho chance. Eu já fazia ideia da existência dos dois primeiros, mas o terceiro foi descoberto há pouco tempo. 

Eu acreditava que a culpa era das pessoas com quem eu me relacionava, mas só porque alguém bate na sua porta, não quer dizer que você precise atendê-la. Depois de algumas sessões na terapia, descobri um padrão emocional não-saudável existente nas minhas relações.  

Nos últimos 3 anos, tenho brincado de batata quente com todas as pessoas por quem me interesso. Elas somem e voltam, assim como eu. Existe uma fenda no tempo em que as coisas "dão certo", mas logo depois, bate um cansaço. Enjoo. Preguiça até. É como se tudo estivesse garantido. Confortável. Seguro demais.

Depois de um tempo, alguém sempre termina. E é aí que chega a liberdade. Eu me sinto solta. Desamarrada no universo e pronta pra conquistar tudo aquilo que eu quero. Após o pico de energia, vem a saudade. Se eu terminei, me arrependo. Esqueço o motivo. É só esbarrar em qualquer tipo de álcool ou a autoestima despencar um pouquinho, que eu volto atrás. Digo que tenho saudade.

E geralmente, a gente volta.

É como se meu status de relacionamento fosse um eterno desfile do dia de finados. 

E preciso comentar que, nem sempre volto para o último ex. Mas para o penúltimo, antepenúltimo até. Juro que eu não tenho medo de ficar sozinha, mas confesso que eu tenho medo do novo, apego ao conhecido e um receio do tamanho do mundo em não ser amada.

Em 2018, cultivei o amor-próprio mais do que nunca em minha vida. Mas parece que é só alguém chegar, que eu esqueço de regar, cortar as ervas daninhas e cultivar tudo aquilo que pertence somente a mim.

Eu fico deslumbrada. Não pela pessoa. Mas pela possibilidade de sentir algo forte o bastante para me transformar. E eu fico com medo também. É como se alguém apontasse uma arma pra minha cabeça e ao mesmo tempo, me oferecesse um chocolate com sabor do fruto proibido.

Sozinha, tudo parece estar no lugar. E eu pareço morar dentro de mim mesma com tranquilidade e paz de espírito.

Mas quando alguém chega na equação, parece que tudo vai por água a baixo e a relação se transforma em meu inferno pessoal. 

Hoje acredito que nunca vivi um relacionamento saudável. Devido ao caos de alguém ou ao meu próprio. Então, acho que eu não sei acertar (pelo menos não por enquanto) sem cair nos velhos padrões de atirar pra longe e querer de volta logo em seguida.

Deixarei aqui prometido: tentarei não atender telefonemas (e não ligar também) de conhecidos e em troca, pretendo esperar por um pedaço de amor tranquilo que não me machuque e onde eu não me perca de quem eu sou de verdade.
--------------------------------------------------------------



E tu? Já brincou de iô-iô com antigos amores?


Foto e texto: Carol Chagas
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...