terça-feira, 10 de julho de 2018

Saí pra dar uma volta (dentro de mim).

Julho, 2018.
Á direita, uma placa grita "SILÊNCIO". 
Olho ao meu redor e não vejo um ser que possa quebrar esse pedido/ordem.

A biblioteca está vazia. E apesar do frio, ela parece convidativa.

~ como todos os lugares em que tenho estado ~

Ruas que não são muito frequentadas, lugares fora do horário de pico, a árvore mais esquecida de um parque qualquer parecem ser um universo de oportunidades.

Espaços vazios têm me preenchido. Acho que é porque quando não tem ninguém por perto, eu consigo apenas ser. Sem muita pretensão. Apenas me deixo levar.

Eu sempre gostei muito de ficar sozinha, mas costumava fazer isso entre quatro paredes. Como se fosse algum tipo de absurdo sair, viver, conhecer o mundo sozinha. De uns tempos pra cá, isso mudou.

Estar só deixou de ser um plano b, mas por vezes, passou a ser a melhor opção. Experimentar um lugar só com a tua bagagem, repertório e vivência é meio que libertador. É entender a vida como um processo nosso, que não pede companhia em todos os momentos.

É não precisar aparar arestas para o bem de alguém, além de nós mesmos. 
É relaxar bem o corpo e se permitir ser do tamanho que se é. Sem se apertar pra caber numa gaveta ou se colocar em posições desconfortáveis a fim de encaixe. 

Me permito ser aérea, profunda e insensível. Por vezes, reflito se gosto de quem eu sou. Na maioria das vezes, a resposta é positiva. E quando não é, eu me questiono o porquê. Nem sempre encontro respostas. 

Às vezes me pergunto se eu romantizo a solidão. Como tenho um histórico de extremos, é natural que eu ache que a balança está sempre pendendo demais para um lado. Mas cada vez mais tenho visto isso como minha forma de me descobrir. Eu mergulho nas coisas e ao invés de tentar evitar/jurar que eu não tô fazendo isso, não/fingir que gosto de ser superficial - quando na verdade isso mata a minha essência - eu tô assumindo que eu mergulho mesmo.

É como eu percebo o mundo. Andar pelas ruas e não entrar (mesmo que só na imaginação) em nenhuma das inúmeras casas é como me pedir pra não ver. E que delícia que é enxergar.

Chego a ficar arrepiada quando respiro
e sinto vida
não em uma pessoa
ou num lugar,
mas dentro de mim. 
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------



Foto e texto: Carol Chagas

sábado, 16 de junho de 2018

A vida é uma só.

Abril, 2018.

É como se muitas coisas estivessem passando pela minha cabeça agora. Minhas têmporas estão vermelhas de ansiedade. E as mãos suam frio. É como se todo o calor estivesse concentrado em apenas um lugar. Totalmente desequilibrado. 

Longe de mim, tentar ajustar isso tudo. Longe de mim, tentar. A gente sempre busca o equilíbrio. Porque é o estável. E é aquilo que faz bem pra gente. Os equilibristas que me desculpem, mas eu amo o desequilíbrio. É ali. Bem no meio dele que a gente cresce. E conseguimos a chance de olharmos pra dentro de nós mesmos. 

O caos só é ruim pra quem não consegue lidar com ele. Mas no fundo, somos todos pra lá de capazes. Às vezes leva tempo, mas mergulhar em cada pedaço nosso, olhar bem de perto e não nos assustarmos com o que vemos é uma espécie de encontro. 

Porque é tudo nosso. 

Somos tudo aquilo que queremos e deixamos de ser. É uma mistura. Não existe uma única cor. Uma linha do tempo que define o antigo do novo. De certa forma, é como se passado, futuro e presente fossem uma coisa só. É como se olhar pra sua rua atual te trouxesse pro primeiro momento em que você a encontrou. E para as infinitas vezes depois disso, que você passou por ela. 

É como se a vida fosse uma série, e o teu momento fosse o famoso episódio de flashbacks das cenas mais impactantes. Você apenas entra em si mesmo e, como em inception, leva um tempo pra você sair totalmente. 

Costumo pensar que nossas emoções são como obras valiosas de algum museu contemporâneo. De tempos em tempos, elas precisam ser revisitadas, passar por uma curadoria e reabrir para visitação externa. 

É um processo natural que a gente tenta evitar, mas que no final, faz um bem danado. 

Nosso corpo e nossa alma são um templo. E sempre que possível, devem ser cultivados mais de perto. 

Regados com amor. E perdão.  

Para que possamos: nascer, florescer e morrer

E após o fim deste ciclo, começarmos tudo de novo.

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------



Foto e texto: Carol Chagas
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...