segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Clareiamô.

Fevereiro, 2018. 

Eu conheci o amor. E por não vivê-lo por completo, me perdi nele. Da cabeça aos pés.

Eu era 100% amor (ou o que eu achava que era pelo menos). Do tipo que fazia com que eu me sentisse conectada a pessoa, mesmo que o meu wi-fi não funcionasse. Do tipo de amor que doía estar longe. E do tipo que quando termina, não se esquece.

Após o fim, a distância emocional parecia algum tipo de abstinência desconhecida que queimava. E pra parar de doer, eu me anestesiava. Ao chegar em casa, o espelho era a última coisa que eu queria encontrar.

Á procura de paz, me joguei no esquecimento. Me distraí até não me lembrar mais das perguntas que eu tinha e que pediam por resposta. Eu sabia que naquele momento, eu não entenderia nenhuma delas. 

De tanto me esquecer, me ceguei. E errei. Repetidas vezes. Por vezes, os mesmos erros. Com as mesmas pessoas. 

Á procura de um poço para chamar de meu, cavei minha própria cova. Mas por sorte, o tempo passou. E por mais clichê que pareça, ele realmente melhora tudo.  

E quando isso aconteceu, encarei o tal do espelho. E não gostei muito do que vi. Prometi pra mim mesma que por pior que fosse o meu reflexo, eu sempre iria enxergá-lo. E amá-lo. Porque era eu ali. E eu me amava. Por mais perdida que eu estivesse.

Hoje vejo que lá atrás, conheci a paixão. Não o amor. Ela virou o meu mundo de cabeça pra baixo. E eu amei. E odiei. Foi como encontrar um tsunami e achar que mergulhar nele faria com que eu escapasse ilesa. 

Erro de principiante.

Depois de encarar meu espelho e voltar a enxergar, eu mergulhei dentro de mim.

E encontrei tanto. Partes de mim que eu até já havia me esquecido de que tinha. E partes novas que eu não fazia ideia de que queria ser. 

Esse mergulho foi descoberta, aceitação e entendimento. Foi um abraço do universo dizendo que o mundo é muito grande e ainda há muito a se ver e sentir. 

Encontrei paz. E vontade de mudar.

Hoje sinto que conheço o amor. E ele não está somente em uma pessoa, em memórias ou em um lugar. Mas em todo pedaço de vida que eu encontro por aí. 

Porque amor é livre e se transforma.

Amor é luz

E a gente precisa dele pra clarear as coisas. 
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------



Texto e foto: Carol Chagas

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Não dispare palavras como balas e não discuta como se aperta um gatilho.

Sempre vi o universo como complexo, mas misteriosamente sábio. É como se um conjunto de sinais, não apenas um fato singular, surgissem na nossa vida pra mostrar um caminho. Mesmo que a gente não saiba qual ele seja.

Ao contrário do que costumávamos pensar na infância e adolescência, cada vez mais enxergo que nada está pronto. Nós, a nossa vida e o mundo. A gente está familiarizado com a ideia de livre arbítrio, mas demora um tempo pra cair a ficha de que realmente o temos.

Tudo pode ser construído (ou desconstruído, como você preferir) o tempo todo. Quando e onde quisermos. Mas a gente não percebe e também não sabe como fazer isso. Acho que nunca saberemos por completo.

Às vezes é tão mais fácil culpar o outro e gritar para ser ouvido que a gente acaba escolhendo chorar em silêncio. É mais confortável. Nos afastamos dos humanos pelo simples motivo de serem humanos. Porque nós somos. E sabemos como é. 

Quando alguém espalha palavras cortantes machuca. Mesmo que no calor do momento. Porque a palavra é como uma bala perdida. Você nunca sabe em que parte da alma ela vai atingir e o quão profundo pode ser o ferimento. E depois, o estrago tá feito sabe? É tão mais fácil evitar os danos do que repará-los. 

Nos últimos dias, o universo me pediu mais leveza. Em meio a todo e qualquer tipo de sentimento. Em ser, dizer e agir. Mas é difícil pro nosso sistema nervoso entender esse mantra:

Antes leve, do que cortante.
Antes contido, do que gritante.

Tudo aquilo que explode no calor do momento funciona como uma bomba de alta periculosidade, a gente nunca sabe quem vai se machucar no processo. Mas ó, segue um spoiler: 

Em uma guerra, por menor que ela seja, ninguém sai ileso.

Que a gente converse, se resolva, mas não grite e dispare coisas que as outras pessoas não precisam ouvir.

No meio dessa bagunça toda, espero algum dia encontrar uma genuína paz, que seja permanente. 



Texto e foto: Carol Chagas

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...