sábado, 20 de janeiro de 2018

Próxima estação: ninguém sabe.

Sinto que estou desaparecendo em meio a tantos sentimentos ruins. Gosto muito de quem sou em 'meu novo lugar', mas parece que às vezes esse não é o meu verdadeiro eu. Essa construção tão bonita que criei nos últimos dois anos cai por terra quando chego em casa. 

É como se tudo voltasse. Não exatamente tudo, já que todos parecem ter ido. E eu ficado em alguma estação estranha onde ninguém costuma voltar. Estou presa num limbo. Não sou a mesma garota que foi embora, mas também não sou a mesma que hoje mora sozinha em um estado diferente da família. 

Não sou ninguém. Vejo uma personalidade estranha que não sabe direito quem é e tenta se encontrar buscando a liberdade. Enxergo alguém que está perdida. E todos nós sabemos o quão ruim é a sensação enquanto não nos encontramos. 

Depois, é ótimo. Explanamos para Deus e o mundo o quão bom é se perder. Mas nós sabemos a verdade. É horrível. É como pisar no escuro com os pés descalços. É se sentir cego. É não saber diferenciar afeto de apego. É se sentir culpada o tempo todo pelo fazer e o não fazer. É não saber em quem devemos confiar. É ter medo. Do presente, passado e futuro. 

O tempo assusta a gente. Porque juntamente com a vida das pessoas, ele está passando. E para onde nós estamos indo? Todas as crises terminam aí, não é mesmo? A gente nunca sabe o que a próxima rodada reserva pra gente. O que era expectativa ontem, é ansiedade hoje. 

Ninguém tem as respostas, não importa o quanto você lhes peça uma. O universo talvez até dê dicas, mas estamos desequilibrados demais para enxergar alguma. Quando tudo se torna estranhamente igual e diferente ao mesmo tempo, não sabemos como podemos mudar. Não há um impulso que nos motive. 

A estranheza até nos incomoda, mas aquela coisa conhecida e familiar ainda nos conforta. É como um ciclo. Fingimos que esquecemos o que nos aflige e focamos na parte que nos acolhe. Até que incomode novamente. E a gente precise fingir que esquecemos de novo. 

Talvez este seja o preço que se paga ao ir pra tão longe. E conhecer mais do que conheceríamos se estivéssemos aqui parados. Presos. Seria a zona de conforto sacana o suficiente para nos punir por abandoná-la? 

Sinto que não moro mais nela, mas é como se a sua sombra me acompanhasse em alguns momentos. Sempre esperando que eu caia e precise retornar a ela. E enquanto isso não acontece, ela tortura do jeitinho dela. Aguardando pacientemente. 


Foto e texto: Carol Chagas

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

De volta para nós mesmos.

Sempre gostei de observar a lua durante o verão. Nas outras estações também, mas parece que nesta específica, o céu ganha um brilho diferente. Não sei se é o calor, as férias ou a posição de algum planeta no nosso mapa astral. Mas o verão dá aquela sensação de que a gente faz parte do lugar onde estamos. 

A lua, sempre presente nos outros dias do ano, se torna agora mais nossa. Assim como o sol, as ruas e aqueles lugares pelos quais passamos e instantaneamente lembramos de alguma partezinha do nosso passado. 

O problema em achar que todas estas coisas são um pouco nossas está justamente no fato de que elas não são. E nunca serão. A gente pode pegar emprestado. Até morar durante um tempo. Mas não dá pra levar pra outros lugares, nem nada do tipo. 

E talvez esta seja a graça. 

Quando algo que é livre está com a gente, temos a certeza de que existiu ali uma escolha. Uma vontade. E mesmo que esse algo volte em poucas horas, dias ou meses de onde ele veio, aquele momento foi e será nosso. 

Por mais óbvio que pareça, não dá pra carregar de um lado pro outro o cenário e os atores de um filme, mas a lembrança que temos da história toda cabe no bolso de trás da memória. 

A gente fica o tempo todo tentando possuir as coisas, as pessoas e os lugares. E a grande ironia é que quando alguém tenta fazer isso conosco, julgamos como absurdo. E é mesmo. Somos absurdos. Todos nós. De algum jeitinho, a gente sempre esbarra num muro que nós mesmos criamos para nós e pagamos a língua. 

A possessividade e a ânsia pelo controle em relação aos outros e até comigo mesma esbarram na minha necessidade de ser livre. Nesse caso, a versão de quem eu era e ainda sou (por enquanto) precisa dar espaço pra quem eu quero ser. 

Alguém que se coloca como prioridade e busca a paz de espírito acima de todas as coisas. 

Pra mim, o ano novo começa mesmo quando o nosso aniversário chega. Mas gosto da ideia de ciclos chegando ao fim, é como se a gente recebesse permissão pra enfim mudar. E começar algo novo. 

Mesmo que a lua e todo o resto sejam os mesmos por aqui, a gente precisa entender que podemos (e devemos) mudar. Faz bem pra cabeça, pra alma e pro coração.

Um 2018 cheio de vida pra vocês.

Foto e texto: Carol Chagas


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