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produto temporariamente indisponível.

ultimamente, não tenho conseguido escrever nada por inteiro. tudo que escrevo no papel, também me escapa. é como se os restos sobre tudo que penso estivessem fragmentados e eu não conseguisse reuni-los. até mesmo porque para mim própria, eles não parecem legíveis. 
existem conversas, reais e hipotéticas, passados que passaram-se de forma alternativa a esta realidade que hoje tento entender. cada linha que passa por mim é um sussurro distante sobre o que quero pra minha vida e não assumo. do que sinto e não digo. e volta e meia, estas vozes dizem, mesmo que eu não consiga entender a narrativa que permeia o estado natural delas. 
sinto falta de construir pontes comigo mesma. de me saber, mesmo que de forma abstrata. hoje nem por aproximação, tenho uma vaga ideia do que estou vivendo. de alguma forma, estou atada por nós que eu mesma me dei e esqueci de me avisar que estavam por ali. 
como quem esquece a senha de uma conta importante. talvez eu precise admitir o meu esquecimento de mim. e s…
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rabiscos sobre o que já fui.

Lembro-me de quando eu era criança e fazia inverno e eu usava meias para dar qualquer passo dentro de casa. às vezes, meus pais erravam a mão no detergente quando lavavam a sala e, não importa o quanto eles encharcassem o chão pra compensar, tudo ficava lisinho lisinho por pelo menos três dias. e eu fazia a festa. 
chegava da casa da minha vó, arrancava fora os tênis como quem solta o cabelo depois de ficar o dia todo preso. e deslizava por aquele chão. ligava a tv. e via qualquer coisa que eu gostasse enquanto patinava no gelo e me sentia rápida, habilidosa no piso. meus pulos eram saltos triplos. 
a sala, lisa ou não, costumava ser meu palco. ali eu dava shows, recriava cenas de séries e filmes que eu gostava, ensaiava vidas que eu imaginava viver algum dia. criava cabanas e fazia rapel ao enrolar a rede de diferentes jeitos no gancho da pequena sacada. lambia o prato ao fim de um miojo, só porque eu era apaixonada por queijo ralado e não tinha como desperdiçar. 
comia brigadeiro de co…

Sobre Ross e Rachel estarem (ou não) dando um tempo.

Quando comenta-se sobre as cenas mais emotivas de Friends, o término de Ross e Rachel, conhecido por roubar lágrimas do público, dispara na frente de qualquer lista sobre momentos da série.
O relacionamento do casal foi esperado por temporadas e, quando de fato acontece, temos a chance de curtir a história deles sendo construída. De primeiras vezes a gestos românticos, ‘Ross e Rachel’ eram a expectativa do amor utópico que toda uma geração sonhava em encontrar. E até mesmo na terceira temporada, quando a relação passa a se tornar mais real e vemos os personagens descobrindo as imperfeições um do outro, é possível enxergar graça nesse laço que parece tão sólido.
Um processo catártico se inicia quando Rachel arruma um emprego de que gosta verdadeiramente. Quando ela resolve querer mais para si. Mesmo dentro de um relacionamento, aquele momento era dela, não do casal. Rachel vivia sua própria narrativa, como que acordando e relembrando o porquê de ter largado seu noivo no altar e não ter v…

E se esse tudo não for o bastante?

Não sei direito o que pensar e o que dizer. Olhando rápido, parece que a vida tá suspensa. As coisas parecem ter perdido seu movimento habitual. Algumas se atropelaram, outras caminharam para trás como quem tenta voltar pra casa no sentido inverso. 
Uma porção de flashes é disparada até mim volta e meia na cozinha quando lavo a roupa acumulada de tantos dias que já nem tenho mais o que vestir, enquanto me pergunto de quem é a sombrinha vermelha esquecida na mesa de casa. 
Algumas mensagens inapropriadas chegam até mim como quem não quer nada e se demoram dentro da minha cabeça. Eu que já mudei tanto, por vezes retorno ao mesmo lugar. Num segundo, sou dona de mim e me percebo como criadora de muita coisa que acontece ao meu redor. Noutro, não sei o que estou fazendo ou o que estava pensando ao fazer tantos planos. 
É como Rachel Green, de Friends, e tantas outras pessoas que foram programadas por muito tempo pra fazer uma determinada coisa - no caso dela, casar - e quando o dia em si cheg…

04:12.

Tentei te dizer tantas palavras que hoje se perderam no céu da minha boca.
Mudei de ideia e me inventei como um personagem que troca de cenário a cada cena escolhida. 
Encolhi meus braços até perder de vista aquilo que um dia imaginei querer.
Procurei ser alguém que não sou com a desculpa de me procurar em cada canto impensável.
Queria ter me aberto de dentro pra fora sem esconder o marca-página na gaveta mais próxima.
Me perdi ao trocar de pele conforme a música mudava.
Desisti de ser tudo aquilo que não sou pra facilitar as coisas.
Decidi sentir cada parte minha sem fugir do desconforto para testar meu reflexo no espelho.
Tenho um mundo dentro de mim que espera, aceita e respira.
E que, pela primeira vez, não teme a vida.
Anseia pela dor, pelo amor, pelos prazeres e desprazeres, pela frustração, por tudo aquilo que atravesse o calor entre a pele e a alma.
Prometo não fugir quando a vida me encontrar.
E se ela tentar me revirar, eu vou deixar. -----------------------------------------------------…

5 coisas que você pode fazer pela sua saúde mental.

Não sou psicóloga, terapeuta ou qualquer outra especialista no assunto. Sou humana e dou meus pitacos conforme o que dá certo comigo. Como que num exercício terapêutico, listei coisas que me traziam um pouco mais de paz nos dias em que não estou lá muito sã. Decidi compartilhar porque vai que isso te ajuda também. 
Quando criança eu odiava. Não fazia sentido arrumar uma coisa que eu ia desarrumar pouco tempo depois. E por esse lado, eu estou certa. Mas nos dias mais difíceis e improdutivos, arrumar a cama é tudo que eu tenho. 

Se alguma coisa der errado, pelo menos eu consegui arrumar a minha cama. Também penso na louça desse jeitinho. Às vezes uma pequena coisa que eu faço pela minha casa acaba sendo grande no meu dia.
Não consigo dormir cedo, beliscar uma frutinha, meditar por dez minutos, tomar dois litros de água, comer vegetais, me alongar e tomar café da manhã reforçado todos os dias. Às vezes me atrapalho com o tempo, às vezes o cansaço me vence e eu desisto. 

Mas mesmo que eu não …

(Nó)s.

Nunca escrevi sobre nós.

Já escrevi sobre você. E infinitas vezes sobre mim mesma quando te pensava como escolha certa. 

Mas nunca senti segurança o suficiente pra escrever sobre o que deixamos de ter. Você me plantou dúvidas desde o início e eu acabei nunca acreditando em nada que pudesse surgir dali. Passei tempos desconsiderando o que eu sentia. Mandando o frio na barriga calar a boca e o sorriso que involuntariamente aparecia quando você chegava ir embora. 

De meses em meses, nos conhecíamos de volta. Mas sempre fiz questão de me lembrar que só éramos troca naquele momento. Eu repetia pra mim mesma e para quem perguntasse "somos apenas amigos". Mas hoje confesso, no fundo nunca foi assim pra mim. 

Você sempre foi possibilidade. Eu costumava achar que era o timing, hoje vejo que é a gente mesmo. Somos opostos complementares e eu não tô falando de signo. Pela primeira vez, tô falando de você e de mim, num mesmo texto. 

Na minha cabeça, nós somos espelhos um do outro. Você não …