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Deixa a vida acontecer, vai.

Quando te conheci, achei que eu sabia em que ponto da vida a gente se desencontrava. Mais precisamente, em que momento. Mas o universo é um pouquinho mais complexo do que a gente imagina.  Por motivos que desconheço, de tempos em tempos a gente se esbarra.  Não tem um objetivo e eu gosto disso. De não me preocupar com o depois. Aproveitar o momento e não pensar no futuro sempre foi algo difícil pra mim, mas com você isso parece fácil.  Gosto das nossas conversas nas mesinhas de bar. E do som da tua risada. Da falsa e da verdadeira.  Gosto da tua boca. Principalmente quando ela tá colada na minha. E quando ela não tá, dá uma saudade. Parece que falta algo.  Eu não sei qual é a tua. Se você me tira dos trilhos ou se me coloca neles.  Tinha medo de olhar nos seus olhos até outro dia. E acabar me vendo neles.  Mas agora o medo se transformou em um frio na barriga que dá prazer em sentir.  Adoro a maneira como a gente se olha ante...

1 ano né.

31 de março. Hoje faz 1 ano que eu moro sozinha. All by myself. Quer dizer, só moro mesmo, não me sustento não. Mas isso fica pra outro texto.  1 ano de saudades. De descobertas. De algumas das melhores  experiências   (leia-se olhar o céu estrelado depois de noites incríveis feat. conhecer gente de tudo quanto é canto) e das piores  também   (oi bad , tudo bem com você?) da minha vida.  Em 365 dias muita coisa muda. E nesse primeiro ano, eu mudei junto . Dos pés a cabeça. Foram 12 meses de muita intensidade pra quem quase nunca via diferença na vida. 4 estações de risadas, choros e muitas conversas durante a madrugada.  Foi um período para se descobrir e depois se perder novamente . É sempre assim. A gente acha que se encontrou, mas acabamos mudando de novo. Ops.  Teve tanto aprendizado que é difícil enumerar.  Teve clichê da vida adulta . Leia-se tirar dinheiro do caixa, comprar carne no açougue (ainda não domino essa a...

Erros que cometemos, barreiras que construímos.

Mongaguá, 2017. Às vezes a gente erra. E erra feio. Todo mundo diz que é bom, saudável até, que sempre aprendemos uma lição. Mas ninguém explica o que a gente faz pra consertar o que quebrou. Pedir desculpas ao outro quando não entendemos o erro que cometemos e o porquê de ele ter se magoado com isso parece errado.  Sempre falamos de empatia, mas é difícil senti-la quando você mesma não se imagina na posição de outra pessoa. Justamente porque você espera nunca estar nela. Talvez você nunca tenha entendido muito bem essa coisa de sentimentos.  Você escreve sobre eles e dá conselhos pra quem precisa. Mas quando é a sua vez, existe uma barreira. Nós reconhecemos o que construímos, mas é complicado derrubar aquilo que talvez nós precisemos usar de abrigo caso algo dê errado.  E sempre dá errado. O certo é tão passageiro que eu mal consigo reconhecê-lo nas ruas. De qualquer cidade, em qualquer estado. O problema tá aqui dentro. E diferente dos dilemas alheio...

Tudo passa, até a dor da saudade.

Entrei no ônibus. O fone já estava no ouvido e as lágrimas já nasciam dos olhos. Mas as músicas e o motivo do choro eram dessa vez diferentes. A saudade que eu sentia transbordava. De dentro pra fora. Uma mágoa da vida surgia em mim.  Eu que sempre julguei o drama alheio, precisei pagar minha língua com a dor que crescia no peito. E não foi fácil, não. Enquanto saía da cidade, lembrava de cada memória vivida e bem aproveitada.  É engraçado como quando cheguei aqui, a minha vontade era fugir. E hoje, eu só queria ficar. Mais um dia, uma semana ou até quando o sentimento continuasse a existir. Eu que sempre gostei de deixar partes minhas nas ruas, me vi querendo levar cada uma delas comigo. Pra onde quer que eu fosse.  A gente sempre acha que se conhece e sabe as respostas para as perguntas do mundo. E isso realmente dá certo por um tempo. Até a gente mudar por dentro.  Voltei pra "casa" mais simples e descomplicada do que já fui na vida. Mas ta...

A gente muda e o mundo muda junto.

A praia tá ali, onde sempre esteve. E eu estou no mesmo banco, onde sempre fiquei pra observar as ondas. No lugar perfeito onde eu posso observá-las, mas não preciso fazer parte delas.  É engraçado como os lugares mudam (mesmo que não tenham mudado), quando a gente muda também . A areia continua da mesma cor. E o céu ainda veste aquele azul clarinho que, pra mim, costumava ser o azul mais vivo que eu já tinha conhecido.  Até eu mudar. E viver sob um céu que usa um azul mais forte. E morar numa cidade onde as estações são super definidas e eu quase não sinto calor.  Ali, naquele banco, eu sempre me senti livre. Mas hoje, a atmosfera me prendia. Aquele calçadão que eu tanto amava e que era pra mim, um símbolo de liberdade, mais parecia agora uma gaiolinha de maior extensão.  O verão que antes parecia um inferninho com tantos turistas, hoje é uma oportunidade. De aproveitar aquilo que não faz mais parte da minha vida. De tentar, mesmo que erroneament...