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O mundo é um baita dum moinho.


É como se eu estivesse correndo.

Tudo passa como um borrão. Num piscar de olhos, eu já troquei a rua pelo asfalto. Cruzei a avenida e saí em disparada em meio aos carros. Mal dá tempo de observar as pessoas na rua, o tamanho da lua ou se as luzes do poste estão acesas. 

Eu só corro. E pela primeira vez, eu não tô fugindo. De um problema, de alguém ou até mesmo de mim. Eu corro porque posso. Porque não preciso. Porque sou livre. E me sinto fluida quando o vento me invade. 

Apesar de ter um fim, é como se aquele momento durasse pra sempre. As pequenas coisas ficam para trás. E pela primeira vez, elas se mostram pequenas. Tudo parece tão menor do que já foi um dia. 

E eu pareço pequena e grande e completa.

Às vezes me encontro perdida, às vezes certa. Mas não importa muito. É como encontrar o sentido de algo e perder a linha de raciocínio dez segundos depois. É mergulhar até o fundo do rio mais próximo pra logo depois ser incapaz de boiar.

É um constante despreparo pra vida que só faz com que ela se torne cada vez mais interessante.

Ora sou burburinho, ora silêncio. 

É ouvir cada relâmpago que eu tento esquecer quando faz sol lá fora. E celebrar tudo aquilo que, assim como eu, corre. 

O tempo,
o ser,
o estar  
e o pertencer.

Corro pra me perder de mim mesma. 
Não pra me encontrar.

A sutileza da paz que me inunda quando eu esbarro em qualquer tipo de luz que me faz sentir algo é libertadora.

E o bastante para mim.
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Foto e texto: Carol Chagas

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