terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Efeito miojo: sobre querermos tudo pra ontem

Ele me pergunta o que eu sinto. Eu digo, mas assim que as palavras saem da minha boca, eu mudo de ideia. Nunca tenho certeza de nada. Ainda mais sobre coisas abstratas que não podem ser mensuradas e provadas. 

Eu frequentemente voo pra longe. Para quão incrível o futuro pode ser e para o quão glorioso foi o passado. E a cada passo que a minha imaginação dá, é como se eu vivesse por alguns minutos (às vezes horas) em outra realidade e com isso, os meus sentimentos mudam. Eles são bem traiçoeiros. 

Eu tenho um poderoso arsenal de memórias e uma criatividade sem limites para criar diálogos, cenas. E não há nada que ninguém possa fazer sobre isso. A gente sempre tenta parar com o lance de criar expectativas, porque no fundo sabemos que essa prática dificulta a nossa felicidade florescer. 

Mas às vezes bate uma amargura em relação a vida. Sobre como ela não é do jeitinho que a gente gostaria que fosse. Então, temos a possibilidade (mesmo que etérea) de criarmos o que quisermos sobre qualquer coisa. 

E por um tempinho bate aquela sensação de satisfação e orgulho de uma criação. Mesmo que ela se desfaça a qualquer momento e que isso nos corroa por dentro depois, parece desperdício ignorar um dom maravilhoso que temos em projetar um mundo (volátil) só nosso. 

Aceitar a realidade é uma questão de sobrevivência. Mas criar expectativas sobre ela é como receber um cafuné no colo de alguém. É um consolo. Uma espécie de compensação. Que deve ser usada com moderação, mas ainda assim deve existir. 

É com esse impulso perigoso que percebemos o que queremos no momento, mesmo que não seja possível naquele instante no nosso mundo real. Eu sei, querer não é o bastante. É como alguém que quer emagrecer, mas não faz exercícios físicos. 

A diferença entre o pensamento e a ação é a tal da mágica. Quando criamos algo, não há demora, nem dificuldades. O que queremos acontece num piscar de um miojo. Mas a gente sabe que o macarrão instantâneo não é tão nutritivo quanto a verdadeira massa italiana.

Porque o que vale a pena leva tempo, justamente para que a gente valorize aquilo. E para que tenhamos a tal da certeza do quanto queremos determinada coisa. 

Por isso demora. 

Porque quando acontece, é de verdade. 

E a gente descobre que a certeza estava ali o tempo todo.   


Foto e texto: Carol Chagas

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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Canais interessantes pra você conhecer AGORA

Uma constante na minha vida é: não importa o quão ocupada eu esteja, eu sempre vou ter tempo para ver um vídeozinho no youtube. Enquanto escovo os dentes, me arrumo, como alguma coisa ou até mesmo antes de dormir, sempre procuro por canais diferentes na plataforma. Resolvi fazer um compilado de tudo que encontrei nos últimos tempos.


Entre Planos
Como muita gente, eu sou apaixonada por cinema e por tudo que é relacionado ao meio audiovisual. Desde conhecer histórias a entender detalhes sobre a produção de alguma obra. E o 'Entre Planos' é um canal que fala justamente sobre esse tema. 

O Max produz um conteúdo muito interessante e sempre apresenta umas curiosidades incríveis sobre o mundo dos filmes e das séries.

Holistic Songwriting
Toda vez que eu começo a conhecer um artista por meio de suas músicas (quando ele é o que compõe o que canta, no caso), fico curiosa sobre o processo criativo por detrás disso tudo. Pelo que o inspirou a compor determinada canção, mas também como ele fez com que aquilo se tornasse realidade (do ponto de vista musical). 

E o Holistic Songwriting faz exatamente isso. O canal analisa as obras de diversos músicos (Taylor Swift, Sia, Tove Lo e The Weeknd são alguns deles) ao analisar as técnicas que eles costumam utilizar. O único probleminha é que tudo está em inglês. 

Mas se você souber a língua ou estiver disposto a treinar seus conhecimentos sobre ela, tá aí mais uma oportunidade. O canal oferece legendas ocultas em inglês, o que dá uma grande ajuda.

Ellora Haonne
A Ellora é a moça mais good vibes que eu conheço no youtube. No geral, ela fala sobre a vida. Sobre tudo que a gente costuma pensar, sentir e fazer. 

Me identifico muito com ela e com suas filosofias de vida. Ela é apenas uma garota que está tentando crescer, se encontrar e ver o melhor que o universo tem pra nos dar. 

Anna Akana
Conheci o canal da Anna Akana há menos de um mês e confesso que já morro de vontade de conhecer essa garota (ou seria mulher? já que ela tem 28 anos!!!! dá pra acreditar?). A Anna grava vídeos bem-humorados sobre os mais diversos temas: relacionamentos, autoestima e pensamentos sobre a vida no geral. 

Além do conteúdo ser muito engraçado, a edição e a produção são muito bonitas de se ver. Aqui tudo também está em inglês, mas a pronúncia dela é bem fácil de entender e os vídeos são todos bem curtinhos.   

Arata Academy
O Seiiti Arata mostra em seus vídeos vários truques e técnicas para melhorar a nossa qualidade de vida. Ele fala muito sobre comportamento e questões existenciais que nós temos como seres humanos.  Os vídeos são maravilhosos para dar aquele improvement em nós mesmos.

Me poupe!
Eu sempre fui uma pessoa mais ligada ao lado emocional e psicológico da vida. Mas 2017 bateu na minha cara a fim de que eu me tornasse também mais independente sobre as coisas práticas do dia-a-dia, tipo: dinheiro. Um tópico sobre o qual eu não sabia quase nada e também não procurava saber. 

Pra mim, a Nath é uma espécie de guru das finanças. Ela ensina tudo sobre dinheiro. Cartão de crédito, dívidas, milhas e ações são apenas alguns dos temas sobre os quais ela fala. Cada vídeo é um ensinamento pra levar pra vida. 

Economizar, investir e saber gastar são coisas essenciais pra levarmos uma vida ~ confortável ~. Então, nada mais justo do que aprender PRA ONTEM.

Thays Lessa
Confesso que adoro o jeitinho calmo da Thays de conversar em seus vídeos. Parece que ela tá do nosso ladinho batendo um papo cabeça e a calma dela apenas nos passa a ideia de que VAI FICAR TUDO BEM. Essa certeza dela permeia em tudo que ela posta. 

A moça fala muito sobre medos, amor próprio e o que podemos fazer para conquistarmos a melhor versão de nós mesmos.



Espero que vocês tenham curtido algum dos canais indicados =)

Foto: Pexels
Edição: Carol Chagas

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sábado, 20 de janeiro de 2018

Próxima estação: ninguém sabe.

Sinto que estou desaparecendo em meio a tantos sentimentos ruins. Gosto muito de quem sou em 'meu novo lugar', mas parece que às vezes esse não é o meu verdadeiro eu. Essa construção tão bonita que criei nos últimos dois anos cai por terra quando chego em casa. 

É como se tudo voltasse. Não exatamente tudo, já que todos parecem ter ido. E eu ficado em alguma estação estranha onde ninguém costuma voltar. Estou presa num limbo. Não sou a mesma garota que foi embora, mas também não sou a mesma que hoje mora sozinha em um estado diferente da família. 

Não sou ninguém. Vejo uma personalidade estranha que não sabe direito quem é e tenta se encontrar buscando a liberdade. Enxergo alguém que está perdida. E todos nós sabemos o quão ruim é a sensação enquanto não nos encontramos. 

Depois, é ótimo. Explanamos para Deus e o mundo o quão bom é se perder. Mas nós sabemos a verdade. É horrível. É como pisar no escuro com os pés descalços. É se sentir cego. É não saber diferenciar afeto de apego. É se sentir culpada o tempo todo pelo fazer e o não fazer. É não saber em quem devemos confiar. É ter medo. Do presente, passado e futuro. 

O tempo assusta a gente. Porque juntamente com a vida das pessoas, ele está passando. E para onde nós estamos indo? Todas as crises terminam aí, não é mesmo? A gente nunca sabe o que a próxima rodada reserva pra gente. O que era expectativa ontem, é ansiedade hoje. 

Ninguém tem as respostas, não importa o quanto você lhes peça uma. O universo talvez até dê dicas, mas estamos desequilibrados demais para enxergar alguma. Quando tudo se torna estranhamente igual e diferente ao mesmo tempo, não sabemos como podemos mudar. Não há um impulso que nos motive. 

A estranheza até nos incomoda, mas aquela coisa conhecida e familiar ainda nos conforta. É como um ciclo. Fingimos que esquecemos o que nos aflige e focamos na parte que nos acolhe. Até que incomode novamente. E a gente precise fingir que esquecemos de novo. 

Talvez este seja o preço que se paga ao ir pra tão longe. E conhecer mais do que conheceríamos se estivéssemos aqui parados. Presos. Seria a zona de conforto sacana o suficiente para nos punir por abandoná-la? 

Sinto que não moro mais nela, mas é como se a sua sombra me acompanhasse em alguns momentos. Sempre esperando que eu caia e precise retornar a ela. E enquanto isso não acontece, ela tortura do jeitinho dela. Aguardando pacientemente. 


Foto e texto: Carol Chagas

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

De volta para nós mesmos.

Sempre gostei de observar a lua durante o verão. Nas outras estações também, mas parece que nesta específica, o céu ganha um brilho diferente. Não sei se é o calor, as férias ou a posição de algum planeta no nosso mapa astral. Mas o verão dá aquela sensação de que a gente faz parte do lugar onde estamos. 

A lua, sempre presente nos outros dias do ano, se torna agora mais nossa. Assim como o sol, as ruas e aqueles lugares pelos quais passamos e instantaneamente lembramos de alguma partezinha do nosso passado. 

O problema em achar que todas estas coisas são um pouco nossas está justamente no fato de que elas não são. E nunca serão. A gente pode pegar emprestado. Até morar durante um tempo. Mas não dá pra levar pra outros lugares, nem nada do tipo. 

E talvez esta seja a graça. 

Quando algo que é livre está com a gente, temos a certeza de que existiu ali uma escolha. Uma vontade. E mesmo que esse algo volte em poucas horas, dias ou meses de onde ele veio, aquele momento foi e será nosso. 

Por mais óbvio que pareça, não dá pra carregar de um lado pro outro o cenário e os atores de um filme, mas a lembrança que temos da história toda cabe no bolso de trás da memória. 

A gente fica o tempo todo tentando possuir as coisas, as pessoas e os lugares. E a grande ironia é que quando alguém tenta fazer isso conosco, julgamos como absurdo. E é mesmo. Somos absurdos. Todos nós. De algum jeitinho, a gente sempre esbarra num muro que nós mesmos criamos para nós e pagamos a língua. 

A possessividade e a ânsia pelo controle em relação aos outros e até comigo mesma esbarram na minha necessidade de ser livre. Nesse caso, a versão de quem eu era e ainda sou (por enquanto) precisa dar espaço pra quem eu quero ser. 

Alguém que se coloca como prioridade e busca a paz de espírito acima de todas as coisas. 

Pra mim, o ano novo começa mesmo quando o nosso aniversário chega. Mas gosto da ideia de ciclos chegando ao fim, é como se a gente recebesse permissão pra enfim mudar. E começar algo novo. 

Mesmo que a lua e todo o resto sejam os mesmos por aqui, a gente precisa entender que podemos (e devemos) mudar. Faz bem pra cabeça, pra alma e pro coração.

Um 2018 cheio de vida pra vocês.



Foto e texto: Carol Chagas

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