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p(r)eso.

Os prédios estavam mais altos do que o de costume e ultimamente, eu me sentia menor do que nunca. Me sentia perto o bastante de fazer coisas que quero, mas infelizmente, tão distante quanto era possível.

Não haviam forças disponíveis para me restaurar e ao mesmo tempo, eu me sentia presa e predadora do que quer que estivesse à solta. Me sentia rodeada, mas não me via ali, presente. Enxergava pouco e para minha surpresa, não eram somente as luzes ao longe que estavam nebulosas.

Nos últimos dias, nada mais parecia estar definido. E isso me definhava aos poucos. Me comia viva sem pedir troco, me dessensibilizava a ponto de eu me sensibilizar com migalhas. Eu não era mais minha ou de quem quer que fosse. Isso me frustrava.

Mais uma vez, me via ali estirada ao chão, como quem pede ao mundo um pouco de carinho. Sempre perto de aniversários. Ninguém continuava tendo respostas para as coincidências que apareciam em determinados meses.

Será que esse ciclo torto sempre voltaria a se repetir? Eu estava disposta a interrompê-lo, mas acho que essa talvez seja a minha sina. Chorar calada, trancar os chakras no fundo da gaveta e me desprender pra não correr o risco de alguém me soltar e eu ficar ali, à deriva.

Eu não quero mais ser tocada. A dor e a delícia mais uma vez parecem estar em desequilíbrio. E eu não sei se sou capaz de balancear. Acho que minha natureza continua sendo esperar que o fim more logo ao lado do começo. 
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Foto e texto: Carol Chagas

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