segunda-feira, 4 de junho de 2018

Sobre desprender-se de tudo (e não ter ideia do que fazer em seguida)

Março, 2015.
Este não é o momento em que mais me sinto sozinha na vida. Mas é uma das fases, com certeza. O tipo de fase que faz com que você se sinta, mesmo que por vezes acompanhada, desconectada do mundo. Como aquele cabo perdido na gaveta do quarto. Você não sabe quando ele surgiu, nem pra que serve. 

Me sinto à deriva. E acho que só agora parei pra dar a devida atenção. Às vezes, a gente desce na estação errada, esquece o carregador em casa e corresponde (por engano) o aceno de um estranho - que não era exatamente pra você. 

E se sentir assim não é necessariamente ruim. Eu diria que é desconfortável. Mas o desconforto não é um mal tão grande nessa vida. 

É apenas um momento. Passageiro, como tantos outros. Em que a gente se sente fora do nosso lugar de fala. Em que nos esquecemos do personagem que criamos. Do que gostamos, do que costumamos dizer, do que odiamos. 

É um desvio. Que não atrasa, mas também não adianta a nossa vida. É um momento pra colocar tudo em perspectiva. Alinhar o que vive lá fora com o que existe aqui dentro. 

É se sentir uma folha em branco e ser jogada ao vento. E não saber pra onde ele vai te levar ou se você tem alguma preferência por qualquer direção. 

É voltar. Para lugares e pessoas. E não sentir mais a mesma coisa. É perder o familiar. É não pertencer. Nem a nada, nem ninguém. Nem a nós mesmos.

É se perder, sem saber se vamos nos encontrar de novo.

É desprender-se por completo, 
mesmo que essa não fosse, 
no início,
a intenção. 
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Foto e texto: Carol Chagas

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