domingo, 29 de outubro de 2017

John Mayer e o amor pela vida.

Aos 15, esbarrei numa música de John Mayer. E odiei. De verdade. E o problema não era com a música ou com o próprio John, mas comigo. Eu não estava pronta. Pra ouvir e me identificar com a quantidade de carga emocional presente em suas canções. Mesmo hoje, aos 20, sinto que não estou. 

Não conheço todas as músicas dele. E confesso que me orgulho disso. Sinto que cada uma delas deve me encontrar, não o contrário. É como se a cada situação que eu passo, uma música existente dele sobre isso me encontrasse. Por meio de um amigo, um link ou o modo aleatório do Spotify. 

Quem me conhece, sabe que eu não tenho ídolos musicais. Gosto de música, não de artistas. Sou eclética e gosto razoavelmente de tudo. Por ser deste jeitinho, nunca me imaginei indo a um show. Simplesmente porque eu não conheceria todas as músicas e ficaria perdida na maior parte do tempo ali. 

Mas com o John é diferente. Eu não sei de cor a maioria de suas músicas, quiçá um álbum inteiro. E eu nem precisaria saber. Eu poderia ir ao show do John sem nem conhecer seu sobrenome. A única coisa que eu precisava fazer e o fiz foi levar meu coração e meus ouvidos e deixá-los bem abertos para sentir.

O arrepio que um solo bem dado de uma guitarra dá na gente. E o amor que a galera que tocava sentia ao chegar ao ápice de uma canção. Acho que essa é a beleza da música. Por alguns minutos, nada importava. 

Ouvir uma galera que você não conhece pedindo aos gritos uma música que é tão importante pra você faz com que a gente se sinta abraçado. Avistar o pôr-do-sol no final de um dia cheio de sinais para você não estar ali é como aquele sol que nasce depois de dias de tempestade. Ver tanta gente estranha cantando uma mesma música é um jeitinho da vida de dizer que ela é tão rara e acontece justamente enquanto estamos vivendo. 

O John escreve sobre o tempo, o amor e a inconsistência das coisas. Ele é um contador de histórias. Boas ou ruins, não importa muito, mas todas são sobre a vida. Sobre pessoas que amam, têm dúvidas, se machucam e crescem.

E é isso que eu admiro tanto nele. O fato de ele conseguir contar tudo isso de uma forma tão bonita e humana. Me faz lembrar que somos todos iguais, afinal das contas.

Se tem uma coisa que eu sinto é gratidão.

Sou grata por suas músicas terem me encontrado. E por ter me perdido e me encontrado tantas vezes ao ouvi-lo

Entre muitos altos e baixos, o amor pela vida cresce. Essa é a única constante da qual eu preciso.

Foto/Texto: Carol Chagas


sábado, 21 de outubro de 2017

O último incêndio.

Eu queria que a gente fosse compatível. Não porque faríamos bem um pro outro, mas porque eu queria alguém do meu lado. Mas esta não é uma boa justificativa, né? Nem pra você, nem pra mim. 

Esta é apenas uma das muitas curvas que levam a gente. E você tentou me levar, mas eu não deixei. Por ainda estar em outra estrada e por mais tarde descobrir que o que eu queria mesmo era dirigir sozinha. Não havia espaço para caronas. 

Algumas coisas e pessoas são apenas o que têm que ser. E a gente tem que deixar. Mesmo que incomode e dê saudade. Você pode dizer que eu fui resistente e inflexível. E eu fui mesmo. Mas não é porque eu tinha medo de viver. É porque eu sentia que tudo estava  tão errado como quando a gente veste uma roupa apertada. No fim do dia, incomoda. 

Eu acredito pra valer no tal do timing. E o nosso foi errado pra termos futuro, mas certo o bastante pra fazer com que eu me desapegasse do passado. Talvez este fosse o objetivo, afinal. Tá aí algo que eu nunca vou saber. 

Juntos éramos fogo. Mas a verdade é que eu não queria queimar. Eu quero mergulhar e não dá pra fazer isso com algo que se desfaz depois da combustão. E a gente era assim. Queimávamos, pra logo depois virarmos pó. 

Eu não quero me desfazer. Quero perder partes minhas aos poucos, não de uma vez. Assim como estou perdendo agora a minha parte que se prendia a você. 

Te liberto, me liberto. 

Que a gente seja livre e consciente o bastante para não incendiar um ao outro novamente.


Foto e Texto: Carol Chagas


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

20 coisas que aprendi (e estou aprendendo) com os 20

Gif: Carol Chagas
Já deixei bem claro em vários momentos aqui que eu sou VICIADA em fazer listas. E essa é apenas mais uma para conta. Como estou entrando no meu querido inferno astral, decidi aproveitar a oportunidade para reavaliar tudo que aprendi e desaprendi durante minha breve vida (e em especial nesse último ano). 

1. Prioridades 
Foto: Flávia Chagas
Fevereiro, 2017.
No caso, faça de você mesmo sua prioridade. Desde cumprir com suas obrigações a colocar em prática algo que você queira fazer. O tempo passa rápido demais pra gente deixar de fazer as nossas coisas por causa de outras pessoas. Se coloque como prioridade, pois ninguém poderá fazê-lo por você.   


2. Não crie expectativas
Foto: Carol Chagas
Janeiro, 2015.
Eu sei que é difícil o lance de "viva o momento". Provavelmente não ajuda muito, mas a gente tem que tentar. Todos os dias. Precisamos começar a deixar as situações serem o que elas são, não o que queríamos que elas fossem. 

Mesmo que a gente ache que tem algum tipo de controle sobre as coisas, a vida sempre vai mostrar que estamos errados. O presente é mais fácil de ser vivido, quando estamos prestando atenção somente nele. 

3. Olhar/Falar sobre a vida do outro é como ter miopia e não usar óculos
Foto: Carol Chagas
Abril, 2017.
A gente acha que sabe tudo sobre a vida de alguém. Achamos que sabemos o que é melhor e o que é pior. Mas não sabemos. Porque justamente a vida é do outro, não nossa. Podemos ouvi-lo e dar conselhos, mas o tal do caminho não é nosso. 

Ficar na sua é a melhor atitude que você pode tomar. É quase que um estilo de vida que todo mundo deveria aderir. 


4. Timing é tudo
Foto: Carol Chagas
Dezembro, 2016.
Podemos passar a vida inteira (ou boa parte dela) tentando fazer com que algo aconteça. Mas às vezes, aquilo não irá acontecer. Não importa o número de tentativas, às vezes o que você mais quer não pertence ao seu caminho. 

Ou até pode acontecer, mas em um momento totalmente diferente. Tudo é questão de timing. A única coisa que podemos fazer é aceitá-lo.


5. Não procrastina, não
Foto: Anna Gabriella Rodrigues
Agosto, 2017.
Sou e sempre fui a rainha da procrastinação. Quanto mais trabalhosa parecesse ser a tarefa, mais a minha preguiça insistia para que eu deixasse para o último minuto. Quando a procrastinação está num nível crítico, procuro fazer algo útil ao invés de assistir séries. 

Desde limpar a casa a organizar minha bagunça. Aprendi isso no blog Pequenos Monstros e eles chamam isso de procrastinação produtiva


6. Tempo é algo relativo
Foto: Carol Chagas
Maio, 2017.
Se tem algo que eu aprendi é que tempo não define a importância de algo que acontece na sua vida. E ele funciona de um jeitinho diferente para cada um (resumindo: comparações entre você e fulano nunca funcionarão quando o fator tempo fizer parte da equação), principalmente quando envolvem sentimentos. Algumas coisas não precisam durar anos para serem verdadeiras. 


7. Ouça mais sua intuição
Foto: Carol Chagas
Setembro, 2017.
Aprendi nos últimos tempos que aquela vozinha que geralmente fica ecoando na nossa cabeça é sábia. Intuição, consciência, chame do que quiser. Na maioria das vezes, ela está certa. 

A gente vive em meio a tanto barulho que acaba não a escutando. E é justamente isso que tenho tentado fazer. Por mais difícil que pareça, tô tentando me ouvir mais.


8. Detalhes importam
Foto: Carol Chagas
Abril, 2017.
O jeito que alguém te trata quando você o(a) decepciona, como estava o céu quando você conheceu seu lugar favorito ou como você se sentiu quando se apaixonou pela primeira vez. Quando estamos falando de vida, todo detalhe importa. São eles que fazem com que cada história seja única.


9. Se sentir nostálgico faz parte da vida, viver com saudades do passado não
Foto: We Heart It
O apego ás memórias varia de pessoa pra pessoa. Algumas não ligam muito, enquanto outras vivem para relembrá-las. O que tento fazer é correr atrás do equilíbrio. Aprendi que recordar faz bem.  

Mas parar tudo que estamos fazendo por causa de algo que já aconteceu é desperdício de energia e atraso de vida. O mundo é grande demais pra gente se perder por causa de um grão de poeira estelar que nos encontrou no caminho.

10. 'New is always better', mas calma lá
Foto: Carol Chagas
Maio, 2017.
Eu amo o novo. Desde lugares a pessoas. Mas em algum momento, o novo se tornará velho. E isso também é bom. Muitas vezes só conhecemos os lugares e as pessoas depois de passarmos muito tempo ao lado delas. Resumindo: o antigo é tão incrível quanto o novo.

11. A gente se acostuma com tudo
Foto: Ianka Soares
Setembro, 2017.
O ser humano é capaz de sobreviver a muitas situações. Às vezes, por estarmos acostumados a nossa zona de conforto, nós ingenuamente pensamos que não vamos conseguir nos adaptar a determinada coisa. Mas sempre conseguimos. 

A vida é uma constante mudança e somos perfeitamente capazes de lidar com cada fase que ela proporciona. A única exceção é quando algo ou alguém te faz mal. Você não deve se acostumar a isso, viu? 


12. Algumas coisas não precisam ser ditas
Foto: Carol Chagas
Julho, 2017.
Por mais que o nosso orgulho, ego ou qualquer coisa parecida tragam aquela vontade de dizer algo só pra retrucar ou machucar o outro, no fim não vale a pena. Nem pra você, nem pra ninguém. 

Não importa se você diz que é sinceridade ou se alguém te deu motivos para isso. Dizer o que você fez depois que terminou com seu(sua) ex pra ele ou falar alguma opinião infeliz sobre a aparência de fulano (na cara dele ou pelas costas) diz mais sobre você do que sobre as outras pessoas.


13. Entregue mais do que promete
Foto: Carol Chagas
Setembro, 2017.
Sou a rainha das promessas, mas como tenho complexo de megalomania, acabo quebrando a maioria delas. Como meta de vida, tô tentando poupar o meu tempo (e o dos outros) ao não prometer mais do que posso cumprir. 

Além disso, ao invés de falar mais, tô tentando entregar mais do que me pedem. Dar o meu melhor em tudo, sabe? É mais gratificante do que não cumprir algo ou entregar uma coisinha meia-boca.


14. A gente tem pressa e vê o que quer ver
Foto: Carol Chagas
Julho, 2017.

Já perdi a conta da quantidade de vezes em que criei expectativas sobre o futuro. Desde um relacionamento a um plano meu. De tanto quebrar a cara numa porta chamada 'realidade', aprendi que o agora é tudo que temos. E é somente nele onde podemos agir. 


Toda vez que caio no pensamento de idealizar algo, tento voltar pro presente e me lembrar que a realidade nunca vai ser como eu espero. Em algumas vezes, ela poderá ser até melhor. Mas tudo dependerá da quantidade de expectativa que eu crio sobre uma situação X. 

15. Ficar sozinho é uma delícia
E se você não gosta, está fazendo isso errado.
Foto: Ianka Soares
Setembro, 2017.
Não importa se você está em casa ou conhecendo algum lugar. Se está fazendo algo importante ou um grande NADA. São nesses momentos em que a gente se escuta, se percebe e se encara no espelho. Ocasiões como essas fazem com que a gente se descubra e seja quem somos de verdade. Sem interferências.


16. A gente sempre tem escolha
Foto: Carol Chagas
Setembro, 2017.

Se tem um comportamento meu que eu detesto e estou tentando mudar é a minha mania de me livrar da culpa com a frase "eu não tive escolha". Isso é caô. A gente sempre tem escolha. 

Mas às vezes preferimos lidar com as consequências de uma, ao invés de outra. Mais bonito seria dizer "Eu não fiz determinada coisa, porque escolhi outra coisa x".

17. Não tem nada de errado em mudar de opinião
Foto: Carol Chagas
Fevereiro, 2017.
Sempre fui uma pessoa de opinião formada. Nada que alguém dissesse me convenceria, justamente porque eu desprezava quem pudesse ser persuadido facilmente. O tempo passou e eu paguei minha língua mais vezes do que consigo me lembrar. 

Acabei levando pra vida a ideia de que somos metamorfoses ambulantes (já dizia Raul). E a melhor parte disso é que assim como mudamos, nossas opiniões também podem nos acompanhar. Ou seja, tá permitido mudar.


18. Se perder é muito bom e faz parte.
Gif: Filme La la land
Sabe quando você fala muitas vezes uma palavra e ela perde o sentido? De vez em quando, isso acontece com a vida. Você não vai ser o primeiro ou o último a ter uma crise existencial sobre quem você é e o que quer fazer. E tá tudo bem. 

Esses momentos são ótimos para que a gente reavalie como estamos levando nossa vida e geralmente, o feeling de se encontrar aparece logo depois deles. E aí tudo fica melhor. Até a próxima crise hehe.

19. Assuma suas responsabilidades
Foto: Carol Chagas
Dezembro, 2014.
O primeiro sentimento de que você cresceu é de que você é responsável pelas suas próprias ações. O lance de se vitimizar e colocar a culpa no outro acaba quando a gente se dá conta de que somos sujeitos. Fazemos escolhas e a maturidade surge quando aprendemos a assumir as consequências delas. 

20. Equilíbrio
Foto: Carol Chagas
Setembro, 2017.
Estar em paz com você mesmo e com o mundo ao seu redor é um exercício constante, mas vale a pena. Equilíbrio pra mim é uma utopia, mas é um jeito de estimular a minha gratidão para com o universo. E os 19 pensamentos acima são um jeitinho de manter minha vida mais próxima disso.



------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Fazer essa lista não quer dizer que eu não erre mais nesses 20 quesitos. Apenas significa que eu tô tentando tomar consciência do que eu quero mudar em mim mesma. Acredito que toda mudança precisa de um primeiro passo e espero que saber em que eu quero evoluir seja um bom começo.

Texto/Lista: Carol Chagas

Follow my blog with Bloglovin
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...