sábado, 18 de fevereiro de 2017

Tudo passa, até a dor da saudade.



Entrei no ônibus. O fone já estava no ouvido e as lágrimas já nasciam dos olhos. Mas as músicas e o motivo do choro eram dessa vez diferentes. A saudade que eu sentia transbordava. De dentro pra fora. Uma mágoa da vida surgia em mim. 

Eu que sempre julguei o drama alheio, precisei pagar minha língua com a dor que crescia no peito. E não foi fácil, não. Enquanto saía da cidade, lembrava de cada memória vivida e bem aproveitada. 

É engraçado como quando cheguei aqui, a minha vontade era fugir. E hoje, eu só queria ficar. Mais um dia, uma semana ou até quando o sentimento continuasse a existir. Eu que sempre gostei de deixar partes minhas nas ruas, me vi querendo levar cada uma delas comigo. Pra onde quer que eu fosse. 

A gente sempre acha que se conhece e sabe as respostas para as perguntas do mundo. E isso realmente dá certo por um tempo. Até a gente mudar por dentro. 

Voltei pra "casa" mais simples e descomplicada do que já fui na vida. Mas também mais quebrada. Eu sei que a cola bastão da minha escrivaninha e o tempo vão ajeitar tudo isso. Como tudo na vida, uma hora vai passar. 

Mas hoje, uma semana depois do nosso último beijo, ainda dói. Algumas vezes mais, outras menos. Mas a saudade sempre fica mais forte quando algo me lembra você. Uma música que já foi o toque do seu celular, uma comida que a gente pensou em comer junto ou sua série de filmes favorita. 

Sempre me apeguei a detalhes e os relacionados a você minha memória não me deixa esquecer. As minhas aulas foram adiadas e a cor da nossa amizade também. Nessa manhã de sábado, a vista da minha janela parece menos viva, apesar do incrível tom de azul que o céu usa hoje. Acho que a minha visão ainda está meio prejudicada sem você nela. 

A tua voz tá aqui, porém o restante está desaparecendo aos poucos. Mas acho que é assim que as coisas funcionam. Em algum momento, a gente aprende a lidar com tudo. E enquanto não aprendemos, seguimos escrevendo, vivendo e amando. A vida, as pessoas e a nós mesmos.   

Texto e Foto: Carol Chagas

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A gente muda e o mundo muda junto.

A praia tá ali, onde sempre esteve. E eu estou no mesmo banco, onde sempre fiquei pra observar as ondas. No lugar perfeito onde eu posso observá-las, mas não preciso fazer parte delas. 

É engraçado como os lugares mudam (mesmo que não tenham mudado), quando a gente muda também. A areia continua da mesma cor. E o céu ainda veste aquele azul clarinho que, pra mim, costumava ser o azul mais vivo que eu já tinha conhecido. 

Até eu mudar. E viver sob um céu que usa um azul mais forte. E morar numa cidade onde as estações são super definidas e eu quase não sinto calor. 

Ali, naquele banco, eu sempre me senti livre. Mas hoje, a atmosfera me prendia. Aquele calçadão que eu tanto amava e que era pra mim, um símbolo de liberdade, mais parecia agora uma gaiolinha de maior extensão. 

O verão que antes parecia um inferninho com tantos turistas, hoje é uma oportunidade. De aproveitar aquilo que não faz mais parte da minha vida. De tentar, mesmo que erroneamente, fazer as coisas voltarem ao normal. Mesmo que isso seja impossível. Quando você muda, não tem mais volta não. Se isso é bom ou ruim, algum dia eu vou descobrir.

Estar de férias em um lugar que costumava ser a sua casa é como viver com uma ampulheta grudada no pulso e não saber pra onde e pra quem direcionar sua atenção. Você conhece os melhores restaurantes e já sabe de cor as lojas de roupas mais baratas. Porém não sabe quem merece o teu tempo investido. 

Mas olhando agora pra trás (não literalmente, é claro, ainda tô no banco olhando as ondas), eu estou satisfeita. Acho que pela primeira vez na vida, as minhas expectativas não me atropelaram no meio do caminho. O que há um ano atrás, seria impossível, já que meu corpo era 75% água e 25% idealização. 

Apesar de ter pulado algumas ondas nos últimos meses, meus pés estão bem grudadinhos na calçada. E isso fez com que eu percebesse que algumas coisas são mais simples do que a gente imagina. Enquanto outras são complexas o bastante para não levarmos na mala. 

Deixo para trás o sal do mar e o cloro da piscina e volto pro cheiro maravilhoso de natureza do interior. Levo na bolsa minhas questões mal resolvidas e meu sorriso. Se algum dia deixei de aproveitar intensamente a vida, não me lembro.       

Foto e texto: Carol Chagas

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