sexta-feira, 19 de maio de 2017

Me deixa ser roda gigante

Eu sou céu. Você é chão. Eu sou inconstante e mudo de opinião toda hora. Você finge que sabe o que quer. Eu te sinto perto longe. Mas volta e meia, deixo de te sentir. A distância existe de várias formas. Mas a mais dolorida é a que tem a ver com o coração. 

Talvez eu te ame do jeito de alguém que nunca experimentou um sentimento forte como este. Por falta de oportunidade, de coragem. Não sei o que se passa lá fora, muito menos o que acontece aqui dentro. 

Mas sei que a angústia tem me acompanhado. A falta de definição das coisas sempre me incomodou, mas tentei fingir que tudo estava bem. E que eu não me importava. Mas eu me importo. 

Certas coisas não mudam e a minha essência é uma delas. Eu tô cansada. De sentir, pra logo depois ter que esquecer. De sempre ter que aguardar o que vai acontecer. Eu não aguento mais não poder confiar. 

Talvez o problema esteja aqui ou talvez seja aí. Eu não faço a menor ideia. Só sei que eu cansei de tentar entender. É como aquele exercício de matemática da prova da segunda fase do vestibular mais concorrido do país. A única diferença é a de que o google dessa vez não tem a resposta. 

Ninguém tem. 

Pode ser que nem exista uma resposta. Ou talvez ela exista e esteja grudada na minha cara há mais tempo do que eu gostaria de admitir. E eu que apenas não quis enxergar o fato de que você me faz ser uma montanha-russa

Evoca o melhor e o pior de mim. E eu não sei até que ponto isso vale a pena. Chegar ao topo pra logo depois sentir o gosto amargo da queda. Da despedida. Das idas e vindas que nunca desaparecem por completo. 

Eu tô cansada da distância. E da sensação de incompletude que ela me traz quando eu penso no que podíamos ser e não somos. Eu preciso daquilo que eu não quero ter: um tempo definitivo sem você.   

Me deixa ser roda-gigante. 

Eu quero enfrentar o meu medo de altura aos poucos. Com cuidado. E enxergar tudo sob outra perspectiva.

De longe.

Texto e foto: Carol Chagas

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sábado, 6 de maio de 2017

Não peça para eu me importar.

"Para onde foi o tempo?" é o que eu mais tenho me perguntado. Nunca fui uma pessoa altamente produtiva, mas ultimamente tem sido mais cansativo que o normal realizar obrigações. Tô tão exausta fisicamente e psicologicamente que apenas tenho vontade de existir. 

O outono faz com que minha cama pareça mais convidativa do que o normal e o hábito de ver séries que eu havia deixado de lado no ano passado me encontrou agora. Tem tanta ideia que eu tenho e queria colocar em prática, mas a distância entre o pensamento e a ação parece ter duplicado de tamanho

O ato mais simples de levar o lixo para fora da casa já me faz revirar os olhos e procrastiná-lo até que eu me esqueça que ele existe. Eu sei que é uma fase, mas quando eu me sentia assim, procurava passar o menor tempo possível dentro de casa. Mas agora as ruas não são mais as mesmas. 

Na verdade, elas continuam iguaizinhas. Eu que perdi a confiança em mim mesma. Tenho vontade de deitar no meio fio durante a noite, apenas pelo prazer de observar as estrelas que sempre foram tão minhas. Mas preciso me contentar em observá-las pela janela, deitada na cama que ora me conforta, ora me aprisiona. 

Me falta energia até mesmo para pensar. É quase como se um limbo tivesse sido criado especialmente pra mim e eu não soubesse como sair dele. Minha versão em outra fase diria "é só sair da cama e fazer algo útil ué", mas a de agora apenas não liga. 

Talvez isso seja um reflexo do meu interior, no momento ele não sente nada. No mês passado, quase diria que amava um ser humaninho pra lá de especial, mas agora é como se essas palavras não fizessem mais sentido. A vontade de estar perto de quem tá tão longe foi substituída pela necessidade de ficar sozinha. 

O tempo nublado parece colaborar com essa perspectiva. Esse céu sem cor faz sentido. Os arco-íris que se espalhavam pela casa também foram embora. E eu de certa forma, também.

Texto e foto: Carol Chagas

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