domingo, 16 de abril de 2017

Deixa a vida acontecer, vai.


Quando te conheci, achei que eu sabia em que ponto da vida a gente se desencontrava. Mais precisamente, em que momento. Mas o universo é um pouquinho mais complexo do que a gente imagina. 

Por motivos que desconheço, de tempos em tempos a gente se esbarra. Não tem um objetivo e eu gosto disso. De não me preocupar com o depois. Aproveitar o momento e não pensar no futuro sempre foi algo difícil pra mim, mas com você isso parece fácil. 

Gosto das nossas conversas nas mesinhas de bar. E do som da tua risada. Da falsa e da verdadeira. 

Gosto da tua boca. Principalmente quando ela tá colada na minha. E quando ela não tá, dá uma saudade. Parece que falta algo. 

Eu não sei qual é a tua. Se você me tira dos trilhos ou se me coloca neles. 

Tinha medo de olhar nos seus olhos até outro dia. E acabar me vendo neles. Mas agora o medo se transformou em um frio na barriga que dá prazer em sentir. 

Adoro a maneira como a gente se olha antes de dar um beijo. É como se a gente perguntasse um pro outro algo que já sabemos a resposta.

Me assusta pensar que talvez você nunca saia da minha vida. Mas me assusta mais ainda imaginar um dia em que você não faça mais parte dela.

O teu olhar me emprestou de lente a descomplicação das coisas. De palavras ditas a escritas, a gente se distrai. Mesmo que não faça muito sentido, seguimos repetindo uns acordes e trazendo o nosso corpo bem pra perto um do outro, pra logo depois nos afastarmos novamente.

Quase como se fôssemos um boomerang humano. 

Entre tanta incerteza e mutabilidade, existe uma constante: o carinho. E ele sempre vai estar aqui, mesmo que você não esteja. 

Texto e foto: Carol Chagas

segunda-feira, 10 de abril de 2017

1 ano né.

31 de março. Hoje faz 1 ano que eu moro sozinha. All by myself. Quer dizer, só moro mesmo, não me sustento não. Mas isso fica pra outro texto. 

1 ano de saudades. De descobertas. De algumas das melhores experiências (leia-se olhar o céu estrelado depois de noites incríveis feat. conhecer gente de tudo quanto é canto) e das piores também (oi bad, tudo bem com você?) da minha vida. 

Em 365 dias muita coisa muda. E nesse primeiro ano, eu mudei junto. Dos pés a cabeça. Foram 12 meses de muita intensidade pra quem quase nunca via diferença na vida. 4 estações de risadas, choros e muitas conversas durante a madrugada. 

Foi um período para se descobrir e depois se perder novamente. É sempre assim. A gente acha que se encontrou, mas acabamos mudando de novo. Ops. 

Teve tanto aprendizado que é difícil enumerar. 

Teve clichê da vida adulta. Leia-se tirar dinheiro do caixa, comprar carne no açougue (ainda não domino essa arte), arrumar o primeiro emprego (de verdade, dessa vez), lavar roupa na mão, cozinhar (para sobreviver apenas, que fique bem claro), abrir conta no banco e por aí vai. 

Mas também teve crescimento emocional. Aprendi a lidar com a dor da saudade, a valorizar mais o agora, a me entregar de cabeça (em projetos, momentos e pessoas), a parar de olhar pro passado e esperar tanto do futuro, a me colocar como prioridade e a correr mais atrás do que eu quero. 

Mudei o corte de cabelo, vi filmes que eu nunca escolheria, me tornei vegetariana por preguiça (um beijo, macarrão!), parei de assistir tv (por motivos de não tenho uma) e passei a ir ao lago como quem vai á missa aos domingos. 

Cresci pra tudo que foi direção, mas a essência tá aqui. Esse tipo de coisa não muda não. 

1 ano. 365 dias. 12 meses. 4 estações. E muita vida ainda por vir. 

Texto: Carol Chagas
Foto: Rafaela Waithmann

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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Erros que cometemos, barreiras que construímos.

Mongaguá, 2017.
Às vezes a gente erra. E erra feio. Todo mundo diz que é bom, saudável até, que sempre aprendemos uma lição. Mas ninguém explica o que a gente faz pra consertar o que quebrou. Pedir desculpas ao outro quando não entendemos o erro que cometemos e o porquê de ele ter se magoado com isso parece errado. 

Sempre falamos de empatia, mas é difícil senti-la quando você mesma não se imagina na posição de outra pessoa. Justamente porque você espera nunca estar nela. Talvez você nunca tenha entendido muito bem essa coisa de sentimentos. 

Você escreve sobre eles e dá conselhos pra quem precisa. Mas quando é a sua vez, existe uma barreira. Nós reconhecemos o que construímos, mas é complicado derrubar aquilo que talvez nós precisemos usar de abrigo caso algo dê errado. 

E sempre dá errado. O certo é tão passageiro que eu mal consigo reconhecê-lo nas ruas. De qualquer cidade, em qualquer estado. O problema tá aqui dentro. E diferente dos dilemas alheios, esse eu não consigo resolver. Pelo menos não agora. Tô envolvida demais. 

Deixo pra depois e me distraio. De vez em quando transbordo. Em palavras ou em abraços do que agora são desconhecidos. Se não me reconheço, como sou capaz de definir qualquer pessoa ao meu redor?

Não defino e não julgo ninguém, mas creio que também não existo. Se "existir" é estar vivo e conhecer cada pedacinho de si, creio que não me incluo nessa definição. Me encontro presa em uma vida que talvez não faça mais sentido. Mas continuo fazendo parte dela, pois se eu abandoná-la, ao que me agarrarei?

Foto e Texto: Carol Chagas

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