sexta-feira, 22 de maio de 2015

Indefinível

Luzes da cidade. Aquela brisa sorrateira toma conta de mim novamente. Fecho os olhos e inspiro bem fundo. Logo os abro e gosto do que vejo. Não sei se o que sinto tem um nome, mas pela primeira vez, não me preocupo em classificá-lo. O que é ótimo. 

Esse gostinho de liberdade está em cada canto. As ruas estão vazias e eu estou repleta. Talvez seja a voz do John Mayer de fundo. Ou essas faíscas invisíveis que mudam de lugar a todo momento. Parece leve e fácil. Bem diferente do que a vida tem me trazido nos últimos tempos. Sem complicações. 

Aquela mesma sensação de quando você ouve uma música boa pela primeira vez e mal sabe que irá adorá-la. Os meus medos talvez tenham ficado para trás, juntamente com aquela esquina que acabamos de passar, ou pode ser que eu esteja anestesiada demais para que eles me preocupem.

Meus movimentos repetitivos me entregam. Estou nervosa. Eu sei disso, você sabe disso. Acho que nunca mexi tanto no cabelo. Tenho certeza de que meu cérebro desligou em algum momento, como aqueles episódios finais de séries, que sempre deixam a gente meio atordoado.

Continuamos conversando, mas confesso que não penso muito nas respostas. Pareço estar no piloto automático de um sonho bom, apenas observando. Chegamos à minha casa. O lugar é o mesmo de 6 horas atrás, mas algo está diferente. 

O meu instinto naquele momento era correr, mas agora eu só queria ficar. No carro, na rua, na calçada. Parece errado fugir de algo tão bom. Talvez tenha sido a noite, a química ou sabe-se lá o quê. Não sei se isso tem um futuro, mas confesso que o presente está valendo a pena.

É engraçado como a vida brinca com a gente. Se me falassem sobre a existência dessa noite quando a gente se conheceu, confesso que não acreditaria em nenhuma palavra. Acho que é por isso que ela não me contou nada, sabia que estragaria tudo.

Já sentiu como se as coisas tivessem acontecido da maneira que eram pra acontecer? Sem parágrafos e pontos. Apenas vírgulas que se esbarram em páginas cheias de planos e sonhos. 

Espero que cada um siga seu próprio mapa. Mas estou disposta a percorrer alguns atalhos para que a minha rua esbarre na sua. Posso até baixar a minha guarda, mas não vamos nos precipitar, certo? Que seja leve como a brisa, que ao mesmo tempo em que me acolhe, também me tira o fôlego.

Foto: We Heart It
Texto: Carol Chagas

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